SALVADOR – É difícil imaginar como estaria hoje o cenário hídrico do Rio São Francisco – que sofre há décadas com assoreamento e esgotos – sem o trabalho realizado há 25 anos pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF). Esse esforço ganhou uma relevância ainda maior a partir da Campanha ‘Eu Viro Carranca para Defender o Velho Chico’, cuja 13ª edição foi lançada na última quarta-feira (6) na Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho, na capital baiana.
Por isso mesmo o atual presidente do CBHSF, Cláudio Ademar, foi categórico ao ressaltar o tema da campanha deste ano (‘Velho Chico, um rio, muitas mãos). Segundo Cláudio, a preservação do Rio da Integração Nacional passa por segmentos distintos da sociedade – desde quilombolas, indígenas e pescadores, até lideranças políticas nas três esferas de governo. “Todos precisam efetivamente se envolver com a questão da revitalização da Bacia do Rio São Francisco”, ponderou.
O presidente disse que as expectativas da campanha deste ano são as melhores possíveis, até pelo fato de já estar consolidada. No entanto, ele destacou que esse é um trabalho “de formiguinha”, porque a cada ano sempre agrega novos adeptos. “Por incrível que pareça, há pessoas que não conhecem o Rio São Francisco. Eu estive recentemente em um congresso nacional e encontrei deputados que mal conheciam o rio. Quando você mostra a grandiosidade, a economia que é produzida no rio, a geração de empregos, a riqueza cultural, a diversidade, isso impressiona. Hoje, quando você soma 18 milhões de consumidores que consumidores da água do são Francisco na bacia, mais 12 milhões de quem recebe água da transposição, a gente está falando de um universo de quase 30 milhões de brasileiros”, argumentou.
Discurso e prática
Por falar na transposição, que beneficia os Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará com água do Velho Chico, Cláudio frisou que o engajamento na defesa do rio deve também envolver quem se beneficia diretamente desse projeto hídrico. Ele também cobrou ações práticas daqueles que mantêm apenas um “um discurso de amor” pelo São Francisco.
“Se todos se engajarem, a gente muda a realidade do Rio São Francisco. Mas a sociedade precisa sair de um discurso verbalizado e mostrar ações práticas. Muita gente diz que ama o rio, mas precisamos fazer com que esse amor que as pessoas dizem ter, se transformem em ações de verdade. Qual seria uma ação? Estamos em ano eleitoral. Se um político bater em sua porta pedindo voto, pergunte a ele qual o compromisso dele, no programa de governo dele, com o Velho Chico”, pontuou.


