Campo Alegre de Lourdes ainda vive atraso histórico no abastecimento d’água e saneamento

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Vivendo um atraso histórico no que diz respeito ao abastecimento humano d’água e saneamento, a cidade de Campo Alegre de Lourdes, no norte da Bahia, está dentro do polígono da seca – onde sua face mais dura faz parte da convivência diária dos quase 30 mil habitantes. A cidade, que ainda não conta com água encanada nem saneamento básico, está situada na divisa com o Estado do Piauí. Embora esteja dentro da área de influência do Vale do São Francisco, fica a 120 km de distância do rio.

Para ter acesso à água, a população da cidade, que tem 55 anos de emancipação política, conta em sua maioria com o transporte feito por animais, numa adaptação das antigas carroças puxadas por burros. O suporte de madeira foi substituído por tanques que armazenam até 500 litros de água. Cada carregamento varia de R$ 8 a R$ 10. Uma família com até quatro pessoas chega a comprar dois carregamentos por semana. A situação, que já é comum, se repete há mais de 40 anos.

Além das engenhocas desenvolvidas, o transporte da água ainda é feito em caminhonetes de igual modo, adaptadas com tanques de mil litros. Por elas, as pessoas com maior poder aquisitivo pagam R$ 18. Tanto as carroças como as caminhonetes abastecem em poços artesianos cavados dentro da cidade. Ao todo, são aproximadamente seis poços públicos, onde a água é gratuita, e dois poços particulares; nesses, se paga de R$ 2 a R$ 4.

As moradias de Campo Alegre de Lourdes têm, além da fossa séptica, caixas de água, às vezes mais de uma. A prefeitura informou que aguarda apenas a deliberação de projeto da rede de transmissão da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) para colocar em funcionamento uma adutora que levará água da comunidade de Passagem, no município de Pilão Arcado, para Campo Alegre de Lourdes.

Plano de Saneamento

Recentemente, a cidade sediou o Fórum de Entidades Populares, com tema voltado para a elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), apresentado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF). A Lei de Saneamento Básico (n.º 11.445/2007) institui a obrigação das prefeituras em elaborar o PMSB. Sem ele, desde 2014, o município não pode receber recursos federais para projetos de saneamento. Em apoio às comunidades, o CBHSF investe no financiamento para elaboração dos planos. O Objetivo do Comitê é contribuir com os municípios para a erradicação de lançamento de esgotos no rio São Francisco. Representantes do CBHSF devem fazer uma nova visita à cidade para apresentação do procedimento de elaboração do PMSB junto ao poder público.

Adutora

Vale frisar que no último mês de janeiro a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), informou que cerca de 95% da primeira fase das obras do sistema integrado de abastecimento de água de Campo Alegre de Lourdes (BA) já estavam concluídas. “A expectativa da Codevasf é de que a adutora principal do sistema de abastecimento, a estação de tratamento de água e as estações de bombeamento, compreendidas entre a captação e o município de Campo Alegre de Lourdes, sejam concluídas até o final de junho, e assim iniciar o período de testes e pré-operação para atender à sede de Campo Alegre de Lourdes”, disse a Companhia, ainda em janeiro. O Blog deixa o espaço reservado para esclarecimentos da Codevasf e da Coelba, caso queiram se pronunciar. (fotos: Ascom CBHSF/divulgação)

1 COMENTÁRIO

  1. Meu caro amigo Carlos Britto
    Lendo essa reportagem em seu blog, ela traduz com fidelidade o drama vivido ao longo dos anos porque passa a população do município de Campo A. Lourdes-Ba. Contudo sobre a Implantação das obras do Sistema Adutor de Campo A. Lourdes, ora em execussão pela CODEVASF, vimos informar que Coordeno a fiscalização da implantação das mesma. Ela se constitui de um Sistema Adutor Principal com cerca de 165 km de extensão entre a captação, na localidade de Tapagem, em Pilão Arcado e o Povoado de Angico dos Dias já no limite das divisa com o Piauí, próximo da cidade de Caracol. Conta, ainda o sistema com cerca de 300km de rede de distribuição para, não só, contempla a cidade de CAL, mas também todos povoados do município ao longo da mesma, beneficiando cerca de 47 povoações.
    O Sistema Adutor está com suas obras prontas em cerca de 85% como um todo, em particular até CAL , em 95%. Estamos esperanto, tão sòmente, que a COELBA, faça a estensão das redes até as Subestações pra que possamos dar início aos testes de vazão. O que já estam sendo iniciados pela mesma. Com isso esperamos que até dezembro /2017, estejamos com água em CAL.
    Um abraço,
    Luna Alencar

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