Estágio de degradação elevado da caatinga é preocupante

por Carlos Britto // 26 de abril de 2009 às 14:10

O autor do requerimento solicitando a audiência pública para discutir a caatinga, deputado federal Edson Duarte (PV-BA), reclama do destrato e elevado nível de degradação para com este ecossistema.

“Na Caatinga, ainda se caça por esporte, a derrubada da vegetação é feita sem controle, a soja e a cana-de-açúcar estão substituindo a flora nativa, o gado ocupa largas extensões de terra e a produção sustentável é rara. Sem contar que ainda existe o coronelismo, além da falta de educação, emprego, terra, moradia, acesso à água, transporte. A miséria existe, com ou sem as chuvas”, dispara o parlamentar.

A preocupação de Duarte está bem fundamentada. Basta olhar os dados mais recentes com relação à proteção da caatinga. Atualmente, apenas 7% de sua área é coberta por unidades de conservação, sendo que só 1% com proteção integral, além de ser o bioma menos conhecido dos brasileiros. Apesar da pequena densidade, já foram identificadas 17 espécies de anfíbios, 44 de répteis, 695 de aves e 120 de mamíferos, num total de 876 espécies animais, pouco se conhecendo em relação aos invertebrados.

Descrições de novas espécies vêm sendo registradas. Este é um claro indicativo de que há um conhecimento botânico e zoológico bastante precário do ecossistema.

Como consequência da degradação, algumas espécies já figuram na lista das que estão ameaçadas de extinção. Outras, como a aroeira e o umbuzeiro, já se encontram protegidas pela legislação florestal de serem usadas como fonte de energia, a fim de evitar a sua extinção. Quanto à fauna, os felinos (onças e gatos selvagens), os herbívoros de porte médio (veado-catingueiro e capivara), as aves (ararinha azul, pombas de arribação) e abelhas nativas figuram entre os mais atingidos pela caça predatória e destruição do seu habitat natural.

Hoje, a caatinga tem 80% de sua área antropizada (modificada pelo homem).

Fonte: Folhape

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