Custo de produção e baixa procura derrubam venda de milho no período junino em Petrolina, analisa Sintraf

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Foto: Ascom Sintraf/divulgação

Matéria-prima de várias das principais comidas típicas do São João, a produção de milho em Petrolina para abastecer o consumo do período junino foi de 500 mil espigas este ano – bem abaixo da expectativa. A procura pelo produto, cujo saco estava sendo vendido nas feiras livres ao preço médio de R$ 30, também foi inferior em relação a 2018, quando o cento era de R$ 50, segundo o Sindicato dos Agricultores Familiares (Sintraf).

A queda na produção aconteceu por alguns motivos. Há vários anos, por exemplo, os pequenos agricultores se queixam do baixo valor do milho, que em 10 anos nunca passou dos R$ 0,35 a espiga; o inverno registrado na zona rural do município não foi suficiente para animar os produtores e o retorno financeiro não cobre os custos.

“O preço do milho é sempre o mesmo. O valor de produção é muito grande se comparado aos benefícios, e a procura está a cada ano menor ainda. Um agricultor planta 3 hectares de milho e não faz R$ 8 mil, em contrapartida ele gastou de R$ 5 a R$ 6 mil para produzir. É muito trabalho para pouco retorno, então eles não consideram tão viável plantar milho”, avalia o secretária de Políticas Agrícolas do Sintraf, Eliete Ferreira.

Neste período junino, o milho verde foi comercializado entre R$ 0,25 e R$ 0,30 a unidade, enquanto no mesmo período do ano passado o produto custava R$ 1, duas espigas. A produção tímida se refletiu no abastecimento para outros Estados e cidades vizinhas – se em 2018, os agricultores venderam para Salvador, Recife, Campina Grande e Caruaru, em 2019 comercializaram apenas na região.

Com as capitais sendo as grandes compradoras de milho, a presidente da entidade, Isália Damacena, diz que 2019 gerou a tempestade perfeita. “A economia do país continua ruim, Caruaru teve uma grande produção de milho e as capitais não tiveram interesse em negociar com a gente este ano“, afirmou.

Efeito dominó

Um efeito dominó que, segundo a líder sindical, freia qualquer investimento dos agricultores dos distritos de irrigação de Petrolina. “Na realidade, o agricultor não para a sua produção para plantar milho, porque, a grosso modo, não vale a pena. Então planta-se o milho como uma alternativa. Petrolina tem uma tradição muito grande com as festas de São João, mas infelizmente a demanda pelo milho que mantém a tradição das comidas típicas tem diminuído muito“, ressaltou.

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