Vida de Academia

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Eu tô tentando, juro. Tento com força ir para academia. Fui na sexta 8 e meia da noite. Hora que a galera tá na balada ou na fila do Faaca. Fui a força, empurrado por uma entidade do bem enquanto os anjinhos sopravam: “Vá não homi, vá tomar uma Heineken gelada. Garrafa bem verdinha”. Venci a tentação e fui.

Para mim é uma vitória. Sou o cara anti-malhação. Acho horrível, monótono e maçante. Mas como luto contra a balança, a triglicérides e um diabo de uma diabetes que quer me pegar vou lá ser pregado na cruz.

Na academia não tem democracia. Tem os sarados, squezzes de toda cor como os tênis, copinhos coloridos, leggings apertadas, cabelos coloridos e um desfile de malhados.

Do outro lado, onde eu estou, short discreto e camisetão sonhando que os olhares não se desviassem dos espelhos para ver aquele gordinho estranho, ser espacial, alienígena e sofrivelmente  comum.

La vou eu resolvendo encarar a esteira com vontade e digo: “hoje eu vou dar tudo, correr quilômetros sem fim”. Programa o iphone só com música boa, olho para os colegas do lado de minha esteira, todos altivos, correndo como se voassem.

Tem uma loira malhada do lado. Corre elegante demais. Tá lá, flutuando. Do outro lado um cara que me esforço para ouvir uma respiração fora do padrão. Nada.

Elegante, parece uma gazela. Ligo a esteira, estufo o peito, e aos 45 segundos seguro a língua na boca para eu não pisar e cair.

E olhe que coloquei a motivacional eye of the tiger e já me senti Rock Balboa quando liguei a esteira. No filme é tão fácil.

Como diminuo a velocidade sem passar vergonha ou admitir para quem estar ao meu lado as que não consegui sequer correr uma música inteira? É o inferno.

Essa galera adora academia. Em suas redes sociais a academia vai com eles, bem como adoram mostrar sua alimentação. No almoço é clara de ovo, alface, rúcula e essas coisas horríveis. No jantar  é frango desbotado, mais ovo e banana.

Sem contar a batata doce, que é um clássico da galera. Essa aparece no café da manhã, almoço, lanche e jantar.

Em casa tomam whey protéin, pré-treino, creatina e suplementos de toda sorte.

Cadê meu mocotó, um prato bom de bode, uma galinhada com cuscuz?

Amanhã tô lá de novo. Vou meio dia para fingir que faço um esforço hercúleo. Mas na verdade é por que tem menos gente e, portanto, passo menos vergonha se cair da esteira, o que quase vive acontecendo. É vida que segue!

Carlos Britto

2 COMENTÁRIOS

  1. Carlos Britto, bom dia.
    Tenho 45 anos e há um ano e meio pesava 105 kg, quando resolvi mudar meu estilo de vida. Estou agora com 20 kg a menos, excelente forma física, viciado em academia e plenamente saudável.
    Tenha uma certeza, amigo. Todo esse esforço vale a pena.

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