Três coronéis da PM são presos em operação contra corrupção em Salvador

por Carlos Britto // 08 de março de 2009 às 16:00

Interceptações telefônicas do Serviço de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (SSP) indicam que integrantes da cúpula da Polícia Militar estariam negociando uma grande licitação de boinas e algemas que ocorrerá em 2010. Relatório da investigação, detalhado na ordem de prisão da juíza Ivone Bessa, obtida com exclusividade por A TARDE, revela que o lobista e empresário Gracílio Junqueira Santos, acusado de liderar esquema fraudulento para vencer licitações para fornecer equipamentos para o Estado e para a Prefeitura de Salvador, enviaria seu filho, Júlio, para comprar o material a baixíssimo custo na China e repassá-lo para a corporação.
Escutas legais revelam que Gracílio teria sido avisado do pregão pelo diretor do Departamento de Apoio Logístico da PM (Dal), o coronel Jorge da Silva Ramos, diretor do órgão que nos últimos três anos firmou oito convênios com empresas ligadas ao empresário. As licitações somam R$ 901,2 mil.
Uma das empresas, a Tecno Import Comércio Representação e Serviços LTDA, cujos sócios são Gracílio Junqueira e a ex-gerente do Bradesco da Graça, Jocélia Fernandes Oliveira (acusada de lançar empréstimos e retirá-los das contas de clientes para repassar para o empresário bancar operações fraudulentas), recebeu mais de R$ 1,3 milhão para fornecer fardas e material de segurança também em três anos. Outra companhia, a Aserv Empreendimentos Comerciais LTDA ganhou três licitações que somaram R$ 308 mil nos últimos dois anos.
Um dos índicios de superfaturamento nos contratos de compra, manutenção e gestão de viaturas da PM é demonstrado numa comparação simples: a aquisição de 191 novas viaturas da Polícia Civil custaram ao Estado R$ 15 milhões (R$ 78,5 mil, cada), enquanto as mesmas 191 guarnições da Polícia Militar custaram aos cofres públicos R$ 32 milhões (R$ 167,5 mil, cada),
Negócio da China – Outra interceptação telefônica revelou que outro oficial da PM envolvidos no esquema, o coronel Sérgio Alberto da Silva Barbosa, ex-comandante do Corpo de Bombeiros, avisou ao tenente Antônio Durval Senna Júnior, almoxarife do Corpo de Bombeiros, que o filho de Gracílio estava viajando para China, onde compraria as boinas e algemas para a licitação de 2010.
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O coronel Sérgio também conversou com o lobista Gracílio na tentativa de quitar uma dívida de R$ 60 mil, que segundo as investigações da SSP, “provavelmente tem origem de algum empréstimo que o coronel fez para financiar a Organização Criminosa nas licitações”.
Sérgio Barbosa chegou a ser fotografado por agentes da Polícia baiana conversando com o lobista, na porta da residência de sua própria casa “para resolverem como iriam pagar a dívida”, segundo o relatório da SSP. As investigações da PM vão ainda mais além, dão conta que Sérgio pretendia entregar boinas estocadas para quitar a dívida do oficial e evitar a penhora dos bens dele.
Investigações – O relatório da SSP mostra que além dos 12 presos, dentre eles três coronéis PMs, outras oito pessoas estão sendo investigadas no suposto esquema de fraudes. São elas Dimas Cavalcante da Silva e Jane Cristina Rios, apontados como laranjas de Gracílio; Júlio, filho de Gracílio; Dilma Senna, mulher do tenente Antônio Senna Júnior, que está preso; Urânia Oliveira, irmã de Jocélia Oliveira, ex-gerente do Bradesco presa; o assessor parlamentar Carlos Santana Filho, marido de Urânia; e o tenente-coronel José Augusto Tuy de Brito Oliveira.

Fonte: A Tarde

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