Presidente do PSB reage ao ingresso dos Coelhos no PMDB

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Sileno Guedes/Presidente Estadual do PSB-PE. (Foto: Arquivo Blog)

Entre os quadros do PSB, prevaleceu um silêncio desconfortante, neste sábado (2), um dia depois de o presidente nacional do PMDB, Romero Jucá, confirmar que o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB) e o ministro de Minas e Energia, Fernando Filho (PSB), aceitaram o convite para se filiar ao PMDB. Em meio ao receio quase geral dos socialistas de se pronunciar publicamente e dificultar uma reaproximação no futuro, uma declaração surpreendeu: a do presidente estadual da legenda, Sileno Guedes, que vinha se esforçando para não entrar em confronto com a família Coelho, cujo poder cresceu no Sertão do São Francisco e se espalhou no Estado. “Quem estiver dentro e fora do PSB e deseja estar na nossa aliança, já sabe que o nosso candidato majoritário é Paulo Câmara. E quem, de fato, tem esse projeto (de ser candidato a governador) não pode ficar no PSB”, disse Sileno.

A reação do presidente estadual veio à noite, quando Fernando Bezerra e o filho passaram o dia sem se pronunciar. FBC, como é chamado, só não teria feito o anúncio público sobre a filiação ao PMDB porque espera as condições necessárias para lançar um nome do seu grupo político como candidato ao Palácio das Princesas. Eles também não podem assinar a ficha do novo partido sob o risco de ficarem sem mandato. Por isso esperam uma janela partidária na reforma política. “O PSB sabe que Fernando está incomodado com a questão nacional e sabe que, em relação a Pernambuco, já há uma decisão tomada. A vaga majoritária é de Paulo Câmara”, declarou Sileno, acrescentando que não tinha sido procurado por ninguém ligado ao grupo do senador, cuja eventual mudança partidária provocará uma reviravolta no quadro político local.

A declaração de Jucá deixou o PSB sem esperanças de manter Fernando Bezerra Coelho nas hostes partidárias e gerou um conflito interno no PMDB antes mesmo dele entrar, porque o deputado federal Jarbas Vasconcelos (PMDB) disse ser “zero” a chance de romper com Paulo Câmara, e o mesmo vale para o atual vice-governador, Raul Henry (PMDB), que trabalha para ser candidato a deputado federal em 2018.

O jogo mais duro dos próximos dias, portanto, acontecerá dentro do PMDB. A partir da próxima terça-feira (5), Romero Jucá deve iniciar uma nova rodada de conversas com Temer, com Jarbas, Fernando Bezerra e o ministro Fernando Filho, não necessariamente com todos ao mesmo tempo. Jucá também ofereceu uma vaga de senador a Jarbas para ele disputar na chapa encabeçada pelo grupo de Fernando Bezerra, mas a proposta não será aceita por questões de lealdade a Paulo Câmara. O quadro, portanto, não parece tão simples para a família Coelho. Se Fernando Filho ou FBC for candidato a governador pelo PMDB, Jarbas não pode ser mais o senador na chapa ao lado de Paulo Câmara, como ele planejava. No máximo, poderá lhe dar apoio numa aliança branca.

A saída do grupo de Fernando Bezerra Coelho do PSB vinha tomando corpo há meses, mas não haverá uma transição fácil. Paulo Câmara não deve contar com o apoio do DEM, do PSDB e do PTB e só terá apenas uma parte do PMDB, que não pode lhe oferecer tempo de guia eleitoral se assim decidir o diretório nacional. Mas FBC e o Filho ainda precisam conquistar o grupo da oposição oficialmente. Armando Monteiro Neto (PTB) ainda tem o sonho de ser candidato ao governo, mesmo tendo pesquisas eleitorais que lhe são desfavoráveis.

No PT, a movimentação de Fernando Bezerra foi minimizada pelo senador Humberto Costa, líder da minoria no Senado. Ele disse que não vê possibilidade de aliança com o grupo ligado ao Governo Temer e não vê chance, neste momento, de aliança com o governador Paulo Câmara (PSB), mesmo que Jarbas tenha feito um aceno positivo para uma aliança. “Muita água vai rolar debaixo da ponte”, falou Humberto, ressaltando apenas haver indicativos de que o PT terá candidato ou candidata ao governo, mas sem revelar preferência por qualquer nome. (Fonte: Diário de PE/Editoria de Politica)

4 COMENTÁRIOS

  1. O PMDB combina bem com políticos como FBC e sua trupe. Imagino que tenha afinidade política com políticos como Temer, Jucá, Cunha, Sarney, Geddel, Moreira Franco…

  2. A postura do Senador não seria nenhuma novidade, por isso não foi o escolhido por Campos em 2014 para Governador, sabia muito bem ,e FBC passou: ARENA, PSD, PMDB, PSB , PPS, PSB de novo, e agora PMDB, de NOVO.

  3. Coisas da política podre! Agora os coelhos serão aliados do ex-prefeito Julio Lossio, só quero ver agora eles reclamarem da gestão anterior! O que antes era uma péssima gestão, agora vai se tornar em um modelo de boa administração. E viva à demagogia!

  4. Pernambuco continuará a navegar em um mar de lama em 2018. Vale lembrar que o PMDB, DEM e PSDB deram sustentação ao governo do PSB (Eduardo e Câmara) esse tempo todo. O racha na base do governo já é quase certa, e provavelmente teremos uma chapa encabeçada pelo PSB e o que sobrar de seus aliados, e outra pelo PMDB, DEM e PSDB. A terceira via contra essa gente que nada mais são do que farinha do mesmo saco, seria Armando Monteiro, que com um bom marqueteiro conseguiria colocar a chapa do PSB e a do PMDB no mesmo caldeirão do péssimo governo que essa gente formou durante este tempo todo, mas pelos últimos acontecimentos Armando deverá se aliar ao PMDB e DEM para se reeleger ao Senado, deixando o caminho livre para o candidato do PMDB (ou DEM ou PSDB). Não há saída para pernambuco, pois ninguém vai querer o PT como terceira via. Meus pêsames pernambucanos, meus pêsames…

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