Integrantes da bancada de oposição na Câmara Municipal de Petrolina, os vereadores Dhiego Serra (PL) e Professor Gilmar Santos (PT) falam a mesma língua somente até a página 2. Quando os problemas administrativos ficam na esfera municipal, ambos geralmente convergem nas suas críticas. No entanto, quando a questão passa para o cenário nacional, Serra e Professor Gilmar costumam protagonizar embates encardidos na Casa Plínio Amorim, como o que ocorreu na sessão plenária de ontem (23).
Em seu discurso na Tribuna Livre, o vereador da direita despejou duras críticas contra o Governo Lula ao citar esquemas de lavagem de dinheiro oriundos do tráfico de drogas. “Este país é um narco Estado. Estamos sendo comandados por uma quadrilha organizada do crime organizado, e não vejo vereador aqui, apaixonado pelo ‘descondenado’, falarem nada sobre esses crimes”, disparou.
Professor Gilmar ouviu tudo sem dizer uma só palavra, respeitando a fala do colega. Mas quando foi a vez do petista falar, o contra-ataque foi na mesma moeda. Ao ser interrompido por Serra, Gilmar pediu respeito, afirmando que o vereador já tinha usado seu tempo “para falar merda”.
Ele também rebateu várias críticas do conservador, ao afirmar que as investigações acerca dos músicos de funk detidos por tráfico de drogas e do escândalo do INSS estão sendo devidamente feitas pela Polícia Federal (PF) na gestão de Lula, ao contrário do que se via à época do então presidente Jair Bolsonaro, o qual impediu a PF de investigar sua família. Gilmar também disse que, quem esteve à frente de uma organização criminosa que chegou a transportar cocaína em avião da FAB e tinha ligações com a milícia e com a tentativa de golpe do 8 de janeiro de 2023 foi Bolsonaro. “Por isso ele é hoje um presidiário”, afirmou.
Fake news
O vereador da oposição se irritou com as fake news propagadas pelos bolsonaristas. Nesse momento do discurso de Gilmar, Serra se sentiu ofendido quando Gilmar chamou Bolsonaro de “irresponsável e vagabundo”, e achou que as palavras fossem em referência a ele. O petista, porém, não recuou. “Quem apoia vagabundo e usa dinheiro do povo pra vir mentir e defender crime organizado só pode estar comungando e tendo identidade com vagabundos e irresponsáveis”, pontuou.
Vale lembrar que os dois vereadores são pré-candidatos nas eleições deste ano – Professor Gilmar concorre a deputado estadual e Serra a federal. É muito provável que esse acirramento vai aumentar à medida em que a campanha se aproxima.


