Pela primeira vez na história da Univasf, Conuni realiza reunião contra vontade da reitoria e expõe clima tenso

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Foto: divulgação

A nomeação do reitor Pro tempore da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) em Petrolina, Professor Paulo César Fagundes Neves, em nada acalmou a celeuma causada pelo imbróglio político no qual a instituição atravessa devido ao processo de escolha do novo reitor e vice. Pelo contrário.

A animosidade entre os apoiadores do Professor Paulo César e os do Professor Télio Nobre – um dos nomes da lista tríplice enviada à Presidência da República – é forte. Exemplo disso foi uma faixa colocada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), na entrada da universidade, apoiando Télio e a vice Lúcia Marisy, na entrada da reitoria no dia 16 deste mês. Dois dias depois a faixa foi retirada, segundo o DCE, pelos defensores do reitor Pro tempore. Ontem novamente foi recolocada pelo Diretório no mesmo lugar.

Após sucessivos cancelamentos pela gestão provisória, representantes do Conuni (órgão máximo da Univasf) resolveram convocar e manter uma reunião extraordinária sem a equipe de gestão temporária, que optou por ficar de fora. O encontro aconteceu ontem (30/04) e foi presidido pelo conselheiro decano, Professor Alexandre Ramalho. Os integrantes do Conuni, em sua grande maioria, são representantes de coordenações de cursos, de docentes, de técnicos administrativos e de estudantes, eleitos por seus pares, além da representação da comunidade externa.

O reitor Pro tempore suspendeu, por duas vezes, a reunião ordinária inicialmente prevista para o dia 24/04, e depois 30/04. Preocupados com a situação incerta e julgando insuficientes as razões alegadas para os adiamentos, a maioria dos conselheiros resolveu chamar a reunião, para tratar das ações da Universidade diante da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e das medidas que a gestão temporária tem tomado, vistas como preocupantes pelos impactos na continuidade das atividades da Universidade.

Por meio de webconferência da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), os conselheiros e conselheiras realizaram a reunião na tarde de ontem com a presença de mais de 2/3 dos membros, em todos os segmentos representados pelo Conuni. Nos mais de 15 anos da Univasf, esta foi a primeira vez em que membros do Conuni conduziram uma reunião convocada contra a vontade da reitoria.

Transição

Predominaram as preocupações dos integrantes do Conuni com a falta de uma transição adequada entre a gestão do Professor Julianeli Tolentino e a equipe provisória, que já realizou alterações em praticamente todos os cargos e setores. As mudanças bruscas preocupam pela interferência em atividades que estavam em desenvolvimento, especialmente, quando a comunidade dava como certa a nomeação dos professores Télio e Lucia, eleitos em primeiro turno, ao final de 2019.

Quanto ao Hospital Universitário (HU), a gestão Pro tempore, entre suas primeiras ações, solicitou a troca do primeiro escalão de gestores e da coordenação médica. Nas pró-reitorias e demais setores vinculados à reitoria, todo o primeiro escalão e parte do segundo foram alterados para acomodar coordenadores de campanha, apoiadores e financiadores da chapa derrotada nas eleições que judicializou o processo eleitoral.

A Comissão de Prevenção e Combate à Covid-19, por sua vez, foi destituída e seus membros, antes representantes de várias áreas de saúde e de diferentes setores da Universidade, foram substituídos quase que completamente por profissionais Medicina, perdendo também o caráter multiprofissional em saúde. O atual presidente da comissão (Anderson Armstrong) é um médico que defende o afrouxamento das medidas de isolamento social, o que deixa apreensiva a comunidade acadêmica, nesse momento de agravamento da crise gerada pela pandemia.

Outro problema considerado grave é a possibilidade de que a reitoria provisória venha a defender o retorno às aulas mesmo no atual contexto, em alinhamento com o Ministro da Educação e em desacordo com as decisões tomadas anteriormente pela Universidade.

Nota de repúdio

Considerando uma postura que vai de encontro ao ambiente de normalidade que reinou até então na história da Univasf, os conselheiros aprovaram emitir nota de repúdio à gestão temporária por não ter conduzido um adequado processo de transição administrativa. Além disso, decidiram requerer à reitoria os devidos esclarecimentos quanto às alterações na comissão que trata da Covid-19 e quanto aos eventuais planos de retorno às atividades acadêmicas e administrativas. Pelo visto, o clima turbulento não terminará tão cedo na instituição federal.

7 COMENTÁRIOS

  1. Esse governo veio para destruir tudo que conquistamos com lutas democráticas.
    É uma pena ver a Universidade que trouxe tanta coisa Boa à região ser gerida por um impostor aleatório.

  2. A briga por cargos é uma constante no serviço público, e, nas Universidades Federais não é diferente. Os estudantes são ou é um público de manobra, normalmente pendem para o lado que se posiciona contra o Governo que é quem mantém as Universidades. Esses mesmos estudantes, mais tarde, quando formados e diplomados pelas Universidades, deixam de ser esse público de manobra, passando a se preocupar com os seus empregos e o sustentos dos seus filhos, e, olhando para trás eles pensam e imaginam, como eu era um tolo, brigar com quem estava me dando uma oportunidade privilegiada de estudar sem pagar nada. Fui estudante na época dos Governos Militares, estudei com os livros da Biblioteca da Universidade. Vi a Seleção Brasileira de Futebol ser Tricampeã do Mundo. Com os dois primeiros dinheiros do primeiro Crédito Educativo comprei uma maquininha de calcular da marca DISMAC. Pegava a bóia no Restaurante Universitário, me sentia sim um privilegiado, pois meu sonho era ter um diploma e isso eu consegui. Brigar com quem está patrocinando o ensino não é de bom alvitre.

  3. Ao estudante ai saudosista do período militar, so queria alertar e dizer que quem patrocina a educação não é o governo e sim o dinheiro do povo, e cabe ao povo SIM cobrar.

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