Número de assassinatos por arma de fogo aumenta 30% no país

por Carlos Britto // 18 de dezembro de 2008 às 20:00

O número de assassinatos por arma de fogo aumentou mais de 30% no Brasil nos últimos 11 anos. É o que mostra um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ainda segundo os dados, o Nordeste é a região mais violenta do país.

Uma mãe, que prefere não se identificar, se emociona ao falar da dor de perder um filho. “Amanheço chorando, anoiteço chorando. Eu não desejo nunca a uma mãe passar por essa dor que eu estou passando”.

O crime foi há dezoito dias. O rapaz, que tinha 20 anos, foi assassinado com um tiro na nuca, perto de casa, no bairro da Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife.

O jovem faz parte de uma estatística que só cresce no Brasil. Em 2007, 35.076 pessoas foram mortas por armas de fogo no país. O dado é ainda mais alarmante no Nordeste: a mesma pesquisa mostra que aqui a violência praticamente dobrou. Em 1996, 6.012 pessoas foram assassinadas. Em 2007, foram quase 12 mil.

No Sudeste, o resultado foi um pouco melhor. Segundo o estudo do Ipea, a violência na região caiu de 14.169 mortes em 1996 para 13.738 no ano passado.

Para o pesquisador Jorge Zaverucha, os bons resultados do Sudeste se devem ao investimento continuado em política públicas principalmente no estado de São Paulo. “A experiência mais bem sucedida e que está conseguindo baixar esses índices de violência ocorreram em São Paulo. Lá se conjuga o braço repressivo, ou seja, o aumento do efetivo, com projetos sociais nas áreas mais violentas”.

O secretário de Defesa Social do Estado, Sevilho Paiva, não quis comentar a pesquisa do Ipea, por entender que os números abragem a região Nordeste, e não apenas Pernambuco. De acordo com ele, o número de homicídios no Estado caiu pouco mais de 3% de janeiro a setembro deste ano, em comparação com o mesmo de janeiro de 2007, de 3.470 para 3.398.

Uma das ações que contribuíram para isso, segundo o secretário, foi o programa de desarmamento do Pacto pela Vida. “A polícia que foi implementada pelo programa foca na retirada das armas das mãos dos criminosos. Tivemos uma redução de 1% no primeiro ano, mas devemos chegar a 5% este ano. Isso mostra que estamos no caminho correto”, afirmou.

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