Nova técnica pode ajudar a identificar doença em videiras mais rápido

por Carlos Britto // 19 de junho de 2009 às 19:34

assalariados-rurais2Uma nova técnica pode ajudar os agricultores brasileiros que plantam uvas. Pesquisa da Universidade de Brasília aponta um método de diagnóstico molecular que pode identificar a doença cancro bacteriano antes de os sintomas aparecerem. A bactéria causa rachaduras nos ramos das videiras, diminui o volume dos cachos, provoca manchas nas folhas e lesão nos frutos. Quanto mais rápida a doença for identificada, menos prejuízo terão os produtores da fruta.

A ideia do estudo era descobrir uma metodologia que fosse capaz de identificar a presença das bactérias em folhas e caules aparentemente sadios. Com isso, seria possível controlar a disseminação da doença. Os primeiros passos para a definição da metodologia estão na tese de doutorado da pesquisadora Loiselene Carvalho da Trindade, desenvolvida sob a orientação da professora do Instituto de Ciências Biológicas Marisa Ferreira. O trabalho recebeu apoio financeiro do CNPq e colaboração de pesquisadores da Embrapa Semi-árido.

Intitulada Diagnose molecular do cancro bacteriano da videira causado por Xanthomonas campestris pv. vitícola, a tese defendida em 2007 foi a única produzida pela UnB a receber menção honrosa do Prêmio Capes 2008, cuja cerimônia de premiação será realizada em julho. “Fiquei muito feliz, porque foi uma luta concluir o doutorado. Já trabalhava e tive uma filha, mas consegui”, destaca.

Loiselene espera que outros pesquisadores continuem a estudar a bactéria e aprimorem os métodos de diagnose do cancro. A professora Marisa Ferreira conta que o projeto terá continuidade. A preocupação das pesquisadoras é que a doença, que hoje está controlada, se espalhe em outras plantações. A patologia só foi encontrada em videiras de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). “Esse é um importante pólo produtor de frutas, cultivadas por conta do solo favorável e a tecnologia de irrigação”, destaca Marisa.

Vale ressaltar que as uvas cultivadas nessa região são destinadas ao consumo in natura. Boa parte da produção é exportada. De acordo com a pesquisa, 155.785 toneladas de uvas foram produzidas por Pernambuco e 89.738 toneladas pela Bahia em 2006. “Não há risco para o consumo, porque o patógeno ataca a planta, não causa problemas ao ser humano. Mas prejudica o trabalho dos produtores”, destaca Marisa.

Informações do Jornal de Brasília

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