Acusações envolvendo os candidatos a vice-governador das duas principais chapas marcaram um dos embates entre Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) no debate da TV Jornal, nesta quinta-feira (1º). Raquel cobrou explicações sobre a relação comercial de Carlos Costa (Republicanos), vice de João, com o Banco Master, enquanto o socialista citou investigações e suspeitas de irregularidades na Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, hospital ligado ao marido da vice-governadora Priscila Krause (PSD).
Em pergunta a João, Raquel citou uma matéria da Revista Veja que diz que o banqueiro Daniel Vorcaro solicitou a manutenção de um contrato de R$ 100 mil por mês com a empresa de consultoria RI Consulting, que tinha Carlos Costa como sócio. “Eu preciso saber e Pernambuco também: você sabia disso antes de convidá-lo para compor a sua chapa?”, questionou a governadora. João Campos alegou que o vínculo se deu por meio de uma relação comercial, de forma lícita.
“O candidato a vice [Carlos Costa] já falou sobre isso. Desde 2019 ele trabalha para a Febraban, a Federação dos Bancos do Brasil, e presta serviços para vários bancos, de forma lícita e prestando um serviço decente”, afirmou. Fundada em 2018 pelo ex-deputado federal Silvio Costa, a RI Consulting tinha Carlos Costa como sócio majoritário até março deste ano, quando o economista deixou o quadro societário para se dedicar à campanha eleitoral ao Governo de Pernambuco.
Na réplica, João Campos questionou a investigação em torno da Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, ligada a Jorge Branco Neto, marido de Priscila Krause.
“Quem deve explicações sobre vice é você. A sua vice-governadora é investigada hoje pela Polícia Federal, Ministério Público Federal, CGU, Tribunal de Contas da União porque recebeu mais de R$ 100 milhões no hospital do marido dela, fazendo aditivos. Uma auditoria federal identificou quase R$ 1 milhão de fraudes em processos de tratamento de câncer, processos de hemodiálise. Mais de 236 processos fraudados”, disse.
Raquel rebateu ao afirmar que a ação do Ministério da Saúde teria sido anulada. “Essa fraude suposta que você fala do Ministério da Saúde, do hospital do marido de Priscila, que serve ao governo há 55 anos, passando por 15 governadores, ela foi anulada. Suspensa por indícios claros de direcionamento e má-fé da auditoria feita pelo Ministério da Saúde. Decisão judicial já tomada”, disse Raquel.
Liminar
A fala de Raquel faz referência a uma decisão liminar da 23ª Vara Federal de Pernambuco, de 18 de setembro, que suspendeu os efeitos do relatório final da auditoria do Denasus até o julgamento definitivo da ação. O Diario de Pernambuco teve acesso à decisão, que não anula definitivamente a auditoria.
Ao conceder a liminar, o juiz Deivisson Manoel de Lima apontou, em análise preliminar, possíveis falhas no procedimento, entre elas violação ao contraditório e presunção de má-fé contra o hospital. O magistrado também registrou que a auditoria não constatou procedimentos não realizados, atendimentos fictícios ou fraudes materiais.
A liminar suspende os efeitos do relatório final do Denasus e das cobranças de R$ 905,2 mil atribuídas à unidade de saúde até o julgamento definitivo da ação. A União também ficou impedida, por enquanto, de reter ou compensar repasses do SUS e de inscrever o hospital no Cadin em razão dos débitos apontados pela auditoria.


