Neste novo artigo, o colaborador do Blog Rivelino Liberalino leva o leitor a uma reflexão pertinente às vésperas de mais uma eleição. Confiram:
Há uma frase que parece confortável: “Eu não quero saber de política”.
Mas existe uma pergunta muito mais incômoda: E se amanhã a política quiser saber da sua fé?
Você é cristão. Vai à igreja. Reza. Ensina seus filhos. Defende sua família. Pede a Deus proteção para sua casa.
Mas, quando chega a hora de participar das decisões que definirão as leis sob as quais essa mesma família viverá, você deixa suas convicções do lado de fora?
Talvez seja exatamente aí que nossa consciência precise ser incomodada.
Porque fé que não alcança nossas escolhas corre o risco de permanecer apenas no discurso.
A Bíblia não nos apresenta homens indiferentes ao poder. Isaías falou. Amós denunciou injustiças. Miqueias confrontou governantes. João Batista enfrentou Herodes. Daniel permaneceu diante de reis sem entregar sua consciência.
E nós, católicos de Pernambuco, carregamos ainda uma história muito próxima.
Em Cimbres, no nosso Agreste, Maria da Luz, futura Irmã Adélia, e Maria da Conceição relataram, em 1936, encontros com aquela que se apresentou como “a Graça”. A devoção atravessou 90 anos; o bispo de Pesqueira declarou haver elementos que sinalizam grande probabilidade do caráter sobrenatural daquela experiência.
Não precisamos transformar Nossa Senhora em argumento eleitoral.
Precisamos fazer algo muito mais difícil: olhar para dentro de nós mesmos.
O que estamos fazendo com a fé que recebemos?
De que adianta segurar um terço na hora da aflição se, diante das grandes decisões da sociedade, declaramos que aquilo em que acreditamos não tem nenhuma consequência?
De que adianta pedir proteção para nossos filhos se não examinamos o mundo que nossas próprias escolhas ajudarão a deixar para eles?
E quando alguém disser:“Isso é coisa de quase noventa anos atrás”, lembremos que o cristianismo inteiro nos ensina que a fé não mede sua verdade pelo relógio. Isaías viveu séculos antes de Cristo e, para a tradição cristã, suas palavras encontraram cumprimento muito depois.
Talvez o maior perigo seja acreditar que sempre haverá amanhã.
Amanhã eu participo.
Amanhã eu me posiciono.
Amanhã eu defendo minha fé.
Amanhã eu presto atenção.
E se amanhã for tarde?
Por isso, cristão, acorde sua consciência.
Conheça os candidatos. Conheça os partidos. Saiba aquilo que defendem. Examine suas propostas sobre família, vida, educação, dignidade humana e liberdade religiosa. E confronte tudo isso, seriamente, com aquilo que você afirma acreditar.
Não terceirize sua consciência.
Quando o desânimo chegar, lembre-se: “Erga a cabeça, enfrente o mal”.
E quando pensar em desistir: “Guerreiro não foge da luta.”
Sua fé não termina quando a missa acaba.
Ela começa a ser provada justamente quando você atravessa a porta da igreja e volta para o mundo.
Depois da eleição, continue.
Fiscalize. Cobre. Denuncie a injustiça. Defenda sua família. Defenda sua liberdade. Viva aquilo que professa.
Governantes passam. Partidos passam. Ideologias passam.
Deus permanece.
E existe algo que nenhum governante deveria receber de você:
a sua consciência.
Antes de votar, portanto, faça uma pergunta no silêncio do seu coração: MEU VOTO É COERENTE COM A FÉ QUE DIGO PROFESSAR?
Talvez ninguém escute a resposta.
Mas você escutará.
Rivelino Liberalino


