Mulheres protestam contra modelo de agronegócio em Pernambuco

por Carlos Britto // 08 de março de 2009 às 22:00

Movimentos sociais de Pernambuco pretendem aproveitar as comemorações do Dia Internacional da Mulher para realizar mais uma edição da Jornada Nacional de Mulheres da Via Campesina, iniciada neste domingo (8), em todo o País. Em Pernambuco, centenas de trabalhadoras rurais ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) realizam protestos em municípios da Zona da Mata Norte e no Sertão. A previsão é de que as ações sigam até o final da semana.

De acordo com Marluce Melo, da coordenação estadual da CPT, as atividades estão integradas aos projetos sociais desenvolvidos pelas entidades. “Vamos aproveitar as comemorações para externar nossa discordância com o modelo de agronegócio desenvolvido em nosso País. Além disso, vamos cobrar do poder público a realização de uma reforma agrária eficiente e em defesa da soberania alimentar”, destacou Marluce.

Na Mata Norte, região conhecida pelos conflitos envolvendo produtores canavieiros e os movimentos sociais, as mulheres realizarão um protesto contra o modelo de monocultura de cana e o trabalho escravo – que segundo os movimentos ainda é encontrado em algumas propriedades.

De acordo com dados da CPT, o setor sucroalcooleiro foi o que mais se utilizou da mão de obra escrava no ano de 2008 em todo o País. “Um total de 2.553 trabalhadores, o que representa 49% dos resgatados da escravidão, estavam neste setor”, destacou Marluce Melo.

As mulheres da Via Campesina defendem a aprovação da PEC 438, que prevê a desapropriação de terras onde sejam encontrados trabalhadores em situação análoga à de escravo.

No sertão, as atividades serão concentradas na cidade de Petrolina, onde as camponesas farão um ato contra o avanço do agronegócio na região, considerado o “inimigo” da agricultura familiar e alimentado pelos grandes projetos de irrigação do Rio São Francisco. Não há informações oficiais, mas fontes ligadas a Via Campesina não descartam a realização de ocupações de terra.

“A oferta de crédito rural do governo federal para a agricultura empresarial na safra 2008 e 2009 é de R$ 65 bilhões contra apenas R$ 13 bilhões para a agricultura familiar. É importante dizer ainda que apesar de todo o investimento feito pelo governo federal, o agronegócio foi o que mais demitiu desde o começo a crise financeira internacional. Já são 184,9 mil trabalhadores agrícolas dispensados”, destacou o coordenador estadual da CPT, Plácido Júnior.

Segundo dados da Via Campesina, a fruticultura irrigada do Vale do São Francisco, com quase a totalidade de sua produção voltada para o mercado externo e com a desvalorização do preço das frutas no mercado internacional, está gerando demissões e falência de pequenos e médios produtores. No mês de dezembro, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho registrou mais de 2.000 desligamentos na agropecuária em Pernambuco.

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