Moradora de Petrolina passa por primeiro transplante ósseo na rede pública de PE

por Carlos Britto // 26 de agosto de 2022 às 09:12

Foto: divulgação

A equipe de traumatologia e ortopedia do Hospital Otávio de Freitas (HOF) realizou um importante passo para a especialização do atendimento de pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS) em Pernambuco. Esta semana, a unidade realizou o primeiro procedimento de transplante ósseo em um serviço da rede estadual de saúde. O HOF – que realiza atendimentos de alta complexidade em traumato-ortopedia – está iniciando o processo de solicitação de credenciamento junto ao Ministério da Saúde para se tornar unidade transplantadora na área e recebeu uma autorização em caráter excepcional do Sistema Nacional de Transplantes para realizar a cirurgia.

É um marco importante para Pernambuco por tratar-se de um procedimento de extrema dificuldade, que exige equipe treinada e capacitada para manejar tecido ósseo e estrutura hospitalar para transporte e manipulação desse tecido. Iniciamos a reunião da documentação necessária para solicitação de credenciamento junto ao Ministério da Saúde para que o Hospital Otávio de Freitas possa se tornar uma unidade realizadora de transplante ósseo, beneficiando os pacientes do SUS em Pernambuco“, destaca o coordenador do setor de ortopedia do Hospital Otávio de Freitas, Hermes Wagner.

A paciente Nilsa Maria Gomes da Silva, de 51 anos, residente de Petrolina, possuía uma prótese de quadril há 20 anos devido à sequela de uma infecção, que gerou um desgaste na cabeça do fêmur (artrose). Ao longo dos anos, a área foi se desgastando ainda mais, ocasionando uma desigualdade no comprimento das pernas em 10 cm. Após a avaliação dos profissionais do Otávio de Freitas, foi identificada a necessidade de uma intervenção para revisão de prótese de quadril (troca da prótese).

Ao avaliarmos o caso da paciente, identificamos um obstáculo, que era o estoque ósseo dela para suportar a remoção da prótese anterior e colocação da nova. Diante disso, foi necessário partir para o enxerto de tecido ósseo visando à restauração da área com ausência de osso, fornecendo a estrutura corporal necessária para suportar a nova prótese, sendo possível fazer essas inserções no fêmur e na bacia”, explicou o médico cirurgião especialista em quadril, Cláudio Marques.

Ele destacou ainda que, com a definição da conduta cirúrgica, começou a preparação da unidade para tornar a realização do transplante ósseo uma realidade. “O Hospital Otávio de Freitas iniciou o contato junto à Central de Transplantes de Pernambuco e o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), referência nacional em ortopedia localizada no Rio de Janeiro e que conta com um banco de ossos. Após os trâmites para autorização para o procedimento serem confirmados com o Sistema Nacional, e também a garantia do material a ser encaminhado pelo Into, iniciamos a preparação da equipe e da paciente“, informou.

Sucesso

O procedimento de transplante ósseo e a revisão de prótese de quadril aconteceram no mesmo tempo cirúrgico, ou seja, no momento que a paciente entrou no bloco cirúrgico do Otávio de Freitas as duas intervenções foram feitas no mesmo momento. O atendimento à paciente envolveu cerca de 10 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos, anestesiologista e instrumentador cirúrgico e durou cerca de 3h.

Vamos continuar acompanhando essa paciente pelos próximos meses, pois o processo de recuperação dela envolve, entre outras coisas, o início do trabalho de fisioterapia para o retorno à caminhada, considerando que o transplante contribuiu ainda para correção da desigualdade do comprimento das pernas em 5 cm. Estipulamos que a recuperação total da paciente ocorra em seis meses, que é o tempo médio que o osso leva para se integrar totalmente ao novo organismo”, completou Marques.

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