Médica do HDM faz desabafo emocionado em relação a problemas na saúde pública de Petrolina

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jamily-medicaNum depoimento emocionado que compartilhou pelas redes sociais, a médica do Hospital Dom Malan (HDM)/Imip lembra o fato negativo mais recente ocorrido na unidade, quando uma ‘cratera’ se abriu na estrutura física do HDM, e lamenta que os investimentos públicos em saúde ainda não sejam uma prioridade em Petrolina.

Confiram:

Depois de muito tempo longe do Facebook, retorno para fazer um desabafo.

Sou médica da emergência pediátrica do Hospital Dom Malan/Imip há 3 anos e 7 meses, um tempo relativamente pequeno quando comparado a alguns colegas que têm 20 anos de instituição. Mas, mesmo nesse pouco tempo, já vivi experiências que valem por uma vida inteira.

No Dom Malan minha fé foi abalada e foi reafirmada, porque lá tenho vivido momentos de alegria extrema quando uma vida é salva, e outros de tristeza infinda quando a morte é mais forte do que nossa ciência e sabedoria.

No Dom Malan tenho aprendido mais e mais sobre como ser uma médica melhor, um ser humano melhor.

No Dom Malan tenho exercitado minha resiliência ante o que não posso modificar.

No Dom Malan vivo as frustrações de todo médico que ama o que faz e esbarra nos entraves de uma saúde, que não é uma prioridade dos governos.

Para aqueles que não sabem, o Hospital Dom Malan hoje é o um dos 2 únicos hospitais públicos infantis da nossa região, mas apenas ele é hospital de alta complexidade. Para o Dom Malan são encaminhadas crianças de 56 municípios circunvizinhos, pertencentes aos estados de Pernambuco e Bahia. No Dom Malan chegam crianças com as mais variadas doenças. Algumas simples, outras graves e gravíssimas.

Nesse momento o hospital que presta assistência a tantas crianças doentes, adoeceu. Sua estrutura antiga não resistiu à falta de cuidado necessário e parte dela não aguentou. O pronto-socorro infantil do Hospital Dom Malan está vivendo uma das suas piores fases. Diante disso, as portas da urgência e emergência infantil tiveram que ser parcialmente fechadas e o acesso ao atendimento médico está restrito apenas a casos de necessidade extrema, pois não há como acomodar os pacientes. Uma forma que a direção encontrou para não deixar a população desassistida.

Sou médica e pouco me envolvo em assuntos políticos, mas sou refém da má administração política. Hoje me veio à cabeça os milhares de reais que foram gastos com festas como o São João de Petrolina. Me deparei essa semana com uma postagem em rede social do futuro prefeito de Petrolina, anunciando que serão investidos fundos na promoção de um carnaval em 2017, de forma que Petrolina entre no circuito dos melhores carnavais de Pernambuco. Gostaria de entender, como pessoa e como profissional, gostaria de entender onde estão o bom senso, o amor ao próximo e o compromisso tão proclamado em palanques.

Talvez não valha para uns e outros ter sua cidade conhecida por ter a melhor saúde da região, até porque a própria população, que tanto necessita da assistência médica pública, ainda se permite o “pão e circo” dos romanos.

A mim só resta fazer minha parte: continuar trabalhando em situação desfavorável, esperando a hora em que tudo se ajeite, ainda que demore, ainda que muitos sofram, mas sempre com uma esperança que não morre, ainda que sufocada pela angústia do momento vivido.

Jamily Pereira/Médica

12 COMENTÁRIOS

  1. Pois é egrégia Dra., os valores estão invertidos, as pessoas tiram tempo da sua vida para protestarem em favor de “Vaquejada” e outras coisas superfulas esquecendo do que realmente precisa ser visto, não atribuo esse tipo de descaso só a classe política mas também a sociedade que se vende por “pão e circo” como a senhora mesmo citou. O que nos resta é orar a Deus.

  2. Muito bom!!!
    Temos que abrir os olhos desses políticos que acham que com festa eles ganham votos (infelizmente tem gente que vota por isso também.)
    Pra quê festa?!? Festa dá saúde pra quem? Festa dá conhecimento (educação) pra quem?
    Festa é bom, mas temos PRIORIDADES, prioridades essas que todos sabem quais são!
    Esse é o nosso Brasil!!!!!!!!!!!

  3. O Dom Malan é estadual. Então, ela deveria ter direcionado suas críticas ao Governo do Estado que gasta milhões com o carnaval em Recife e não investe na saúde de Petrolina proporcional a sua necessidade. Lembrando que o município é responsável pela atenção básica!

    • Mas o prefeito tem obrigação de cobrar melhorias do estado, afinal ele é o gestor da cidade e os usuários do hospital são eleitores dele. O que a Dra. quis colocar é o fato do gestor estar preocupado com coisas superfulas e não das prioritárias independente de quem administre.

  4. Sou técnica em enfermagem a serviço do SAMU ,trabalho e moro em Campo Alegre de Lourdes – Ba, EU mesmo inúmeras vezes ja deixei crianças ai no Dom Malan e sei a importância do mesmo para nossa região tão distante e sofrida. Acho um absurdo o desperdício com o dinheiro público . Quanto a sua postura DRa Jamiy Pereira é louvável é Deus continuará a preparar anjos como vc,para atender os inocentes e necessitados.

  5. Quando vamos ser um Pais Sério ? querida Dra.o nosso povo não tem cultura o suficiente
    para poder priorizar os direitos civeis de um ser humano, as festas devem sim acontecer , mas não com o
    dinheiro suado do nosso povo, mas sim com a disponibilidae de cada cominidade se assim desejar, mas tenha
    certeza que são pessoas como a senhora que vão mudar os rumos de um Pais , ai sim tenho fé, ainda que eu não esteja viva um dia o BRASIL vai ser Pais de primeiro mundo, vale a pena sim abrir a boca e defender aquio que não é uma causa própria mas sim de todos ,Parabéns.

  6. Em julho meu filho recém nascido teve q sair do Hosp Memorial pra o IMIP as pressas… vi a precariedade q é o atendimento, não pela boa vontade dos profissionais, esses são dedicadíssimos… mas pela infraestrutura e super lotação. Como a médica disse: o IMIP é um hospital que atende crianças de mais de 56 municípios e tenho certeza que esses municípios não repassam suas verbas da saúde para o hospital…. então o estado de PE e a prefeitura de Petrolina q se vire….Deveria a conta do hospital ser de todas as cidades q ele atende. Imaginem vc fazer um almoço pra sua família, companheiro e filhos, e de repente chega pra almoçar na sua casa a família de sua irmã, a de seu cunhado, a do vizinho, a do amigo, etc… será q esse almoço saciará a todos?

    Eu sou e moro em Petrolina, e meu filho por falta de vaga foi transferido numa UTI aérea para Recife pelo plano de saúde… Inclusive foi atendido por essa médica, SUPER atenciosa, e se não fosse por ela talvez ele não estaria aqui conosco.

    A saúde de Petrolina está um caos, não só a pública. Meu filho tem plano, mas não tinha hospital particular com aparatos para reverter sua enfermidade, e no público a vaga é extremamente difícil.

  7. Eu, sou uma vítima dos maus tratos desse em hospital, passei por momentos terríveis e angustiantes,tenho trauma desse lugar , infelizmente não temos uma boa administração no hospital, assim como não temos um governo íntegro e sim uma verba mal administrada onde o o principal foco e objetivo do prefeito da nossa cidade e promover festa e investir milhões e milhões em coisas supefula e deixa a saúde, a educação adeseija

  8. Dra. Venho aqui em primeiro lugar parabeniza lá, pelo humanismo e profissionalismo, ppos são poucos que tem essa coragem de um desabafo tão emocionante e real. Eu enquanto população que necessito da saúde pública, me resta crer que diaselhores virão, q todo esse pesadelo acabará. A todos nós só nos resta crer e cobrar doa nossos políticos. Abraços.

  9. Nunca esqueço o dia em que minha mãe estava esperando atendimento para meu irmão, quando cheguei tinha dezenas de crianças que estavam ali desde cedo, um verdadeiro caos!
    Acalmem-se ou revoltem-se mais ainda meus amigos, não bastando isso, fui em busca de hospitais particulares pra saber se teríamos condições de pagar pelo atendimento, mas, para minha “surpresa” em nenhum dos hospitais tinha médico pediatra de plantão. Aproveitem que teve eleição recentemente e acompanhem as promessas feita pelo prefeito eleito.

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