A aproximadamente cinco meses do pleito de 2026, as peças do tabuleiro eleitoral começam a se consolidar. No cenário nacional, a corrida pela Presidência da República apresenta nomes de peso e diferentes matizes ideológicos. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca a reeleição, a oposição e o centro articulam candidaturas como as do senador Flávio Bolsonaro (PL), do governador mineiro Romeu Zema (Novo), do escritor Augusto Cury (Avante) e de Aldo Rebelo (DC).
Em Pernambuco, o foco se volta para Petrolina, principal reduto político do grupo liderado pelo ex-prefeito e atual presidente estadual do União Brasil, Miguel Coelho. Com o apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSDB) já oficializado, o clã Bezerra Coelho concentra esforços na consolidação de uma candidatura majoritária para o Senado Federal. A estratégia faz parte de um acordo de convergência que envolve a federação entre o União Brasil e o PP.
Se o caminho estadual parece pavimentado, o posicionamento nacional do grupo permanece como o grande “ponto de interrogação” do Sertão pernambucano. Historicamente, a família Coelho demonstrou trânsito entre diferentes espectros políticos: Integraram a base e ocuparam ministérios nas gestões do presidente Lula e da ex, Dilma Rousseff; mantiveram interlocução direta e participação no governo dos ex-presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Até o momento, Miguel Coelho tem adotado uma postura de cautela, evitando declarar apoio formal a qualquer presidenciável. Em declarações recentes, o líder político enfatizou que seu foco é um “debate pelos problemas de Pernambuco“, sugerindo que a escolha nacional poderá ser influenciada pelas diretrizes da executiva nacional do União Brasil ou deixada para um momento de maior definição das chapas ficando o mais colado possível a governadora.
A dúvida que circula nos bastidores políticos de Petrolina é: para que lado penderá o grupo dos Coelhos? A decisão não é apenas simbólica. O grupo precisa equilibrar a manutenção de sua base conservadora e sertaneja com a necessidade de recursos federais para a região e a estabilidade da aliança com Raquel Lyra — que também possui suas próprias articulações na esfera nacional. Com o acirramento da campanha, a neutralidade tende a se tornar um espaço cada vez mais estreito. Resta saber se o grupo optará pelo pragmatismo que marcou sua trajetória ou se a disputa nacional forçará um desembarque definitivo em um dos polos da política brasileira.


