HU-Univasf é referência em acidentes com animais peçonhentos

por Carlos Britto // 28 de abril de 2026 às 18:50

Foto: HU-Univasf/Unidde de Comunicação Social divulgação

O Hospital Universitário (HU) da Univasf, vinculado à Rede HU Brasil (antiga EBSERH), é referência no atendimento a vítimas de acidentes com animais peçonhentos na região. A unidade tem reforçado a importância da prevenção e da busca imediata por atendimento médico nesses casos. De janeiro a dezembro de 2025, o hospital registrou 139 atendimentos envolvendo picadas de animais como aranhas, cobras e lagartas venenosas, com dois óbitos decorrentes de acidentes com serpentes. Já em 2026, apenas no primeiro trimestre, 27 pessoas deram entrada na unidade após acidentes com aranhas, escorpiões, serpentes e lacraias.

Para esses atendimentos, o HU-Univasf conta com imunobiológicos — soros específicos que neutralizam a ação do veneno. Entre eles estão o soro antiaracnídico, utilizado em casos de picadas de aracnídeos como a aranha-marrom e a armadeira; o soro antilonômico, indicado para acidentes com lagartas; e o soro antiofídico, aplicado em casos envolvendo cobras como cascavéis, corais e jararacas.

A chefe da Unidade de Vigilância em Saúde do hospital, Daniely Figueiredo, reforça que o atendimento na unidade é destinado ao público adulto e destaca a importância de agir rapidamente. “O ideal é não movimentar o membro afetado e procurar o serviço de saúde o mais rápido possível. Deve-se apenas lavar o local com água e sabão. Não é recomendado fazer torniquete, pois o tratamento adequado é feito com o soro no ambiente hospitalar”, orienta.

Em casos de picada de escorpião em adultos, não há indicação de uso de soro, sendo o tratamento voltado para o alívio dos sintomas. Ainda assim, a recomendação é buscar atendimento em uma unidade de saúde diante de sinais como dor e inchaço. De acordo com o biólogo e professor da Univasf, Leonardo Ribeiro, o período após as chuvas favorece o aumento da presença de serpentes, especialmente na região da Caatinga. “Com mais água e alimento disponíveis, as serpentes passam a circular mais em busca de presas, como roedores e lagartos”, explica.

O especialista alerta que muitos acidentes ocorrem na zona rural, o que torna essencial o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), como botas, perneiras e luvas. Ele também recomenda evitar o acúmulo de entulhos e nunca tentar manusear serpentes, mesmo que aparentem estar mortas. Apesar dos riscos, Leonardo destaca a importância desses animais para o equilíbrio ambiental, especialmente no controle de pragas como roedores, que podem transmitir doenças.

Capacitação reforça atendimento especializado

Como parte das ações de qualificação interna, o HU-Univasf realizará, nesta quarta-feira (29), a palestra “Animais Peçonhentos – abordagem clínica”. O evento é voltado para equipes assistenciais e integra uma iniciativa conjunta do Setor de Gestão da Qualidade, da Unidade de Vigilância em Saúde e do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia. A proposta é aprimorar os fluxos de atendimento em casos de urgência e emergência relacionados a acidentes com animais peçonhentos, garantindo mais eficiência e segurança no cuidado aos pacientes.

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