Todas as vezes em que Pernambuco ensaia tirar a Transnordestina do papel, o destino – ou a política – trata de puxar o tapete. O episódio de terça-feira (19) é mais um dessa novela que já dura décadas.
A governadora Raquel Lyra (PSD) estava em Brasília (DF), pronta para capitalizar um momento histórico: a assinatura do contrato de R$ 312 milhões para o lote entre Custódia e Arcoverde, no Sertão. Mas o presidente Lula (PT) pediu o adiamento. Também quer os louros e a foto oficial. Isso é apenas a superfície do problema.
Mesmo que o contrato tivesse sido assinado, a ferrovia em Pernambuco continuaria travada. O Tribunal de Contas da União (TCU) jogou outro balde de água fria, ao condicionar qualquer centavo a estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental.
A Infra S.A. e o Ministério dos Transportes foram avisados: sem planejamento, nada anda. Enquanto o vizinho Ceará está a anos-luz de distância, consolidando o ramal até o Porto de Pecém, Pernambuco patina em exigências que já deveriam ter sido superadas.
Instabilidade
Não bastasse o freio de mão puxado pelo TCU, o Estado lida com a instabilidade de forças políticas. Quando a Sudene vivia um momento de protagonismo para tentar equilibrar o jogo em favor do ramal Salgueiro-Suape, o pernambucano Danilo Cabral foi exonerado.
Agora, meio que remando contra a maré, a Fiepe e a Sudene uniram forças para tentar construir saídas. Até a Advocacia-Geral da União (AGU) entrou em campo para destravar o imbróglio. A Transnordestina vai se tornando o maior monumento inacabado do Nordeste. (Fonte: Folha Política/Betânia Santana)


