Artigo do leitor: EUA pode restringir suco de laranja brasileiro

por Carlos Britto // 02 de fevereiro de 2012 às 14:10

O médico Aristóteles Cardona Júnior chama a atenção, neste artigo enviado ao Blog, sobre o perigo para a saúde dos brasileiros, os quais só tomaram conhecimento depois da divulgação da notícia de que o governo norte-americano pode restringir o suco de laranja nacional, pelo fato de o produto conter resíduos de um agrotóxico proibido nos Estados Unidos.

Confiram:

Nas últimas semanas vários sítios nacionais anunciaram uma possível restrição à entrada do suco de laranja brasileiro em território estadunidense. O motivo está no agrotóxico, o carbendazim, encontrado no produto importado pela PepsiCo e exportado do Brasil pela Cutrale.

O detalhe é que tal agrotóxico é proibido nos EUA, mas permitido no Brasil. E aí? Como ficamos nós, brasileiras e brasileiros, que consumimos esses venenos sem saber? Na mesma linha, cabe mais uma reflexão: o quão perigoso pode ser o consumo de tal veneno a ponto de se tornar um produto completamente proibido em terras norte-americanas. Ou será que, finalmente, os EUA ingressaram de vez na Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida?

As autoridades brasileiras precisam se manifestar sobre a questão e dar uma resposta ao nosso país. O único membro do governo que manifestou opinião na mídia brasileira foi o Ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, do PMDB-RS. O ministro declarou que não há problema nenhum no suco de laranja produzido no Brasil pelas grandes transnacionais. Mas teria ele emitido uma opinião técnica? Duvido muito. Para quem não conhece o Mendes Ribeiro, reproduzo um trecho retirado do sítio do Leonardo Quintão, deputado ruralista do PMDB-MG, que explica bem quem é a figura do primeiro escalão do Governo Federal:

Katia Abreu disse que Mendes Ribeiro já faz parte da bancada agropecuária. “Ele tem nos ajudado em vários momentos, mesmo porque seu estado tem uma força muito grande no agronegócio”, declarou. A senadora afirmou que Ribeiro votou pela aprovação do Código Florestal na Câmara. “Votou conosco”, disse.

No discurso, diz-se que os níveis presentes estão abaixo do necessário para comprometer a saúde humana. O que está estabelecido é que determinadas doses do carbendazim podem provocar infertilidade. E quem garante que doses menores em longo prazo também não causem?!

Mas do que nunca é hora de fortalecer a Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. Para se ter uma ideia do absurdo ao qual chegamos no uso de agrotóxicos basta analisar o descontrole existente nas vendas. E quer um parâmetro? Neste link, por exemplo, é possível comprar veneno com frete grátis para todo o Brasil! É mole?!

Aristóteles Cardona Júnior/Residente em Medicina de Família e Comunidade – Univasf

Artigo do leitor: EUA pode restringir suco de laranja brasileiro

  1. Emílio disse:

    O Dr. Aristóteles Cardona, deveria consultar várias fontes de informações, antes de escrever algo sobre um assunto sobre o qual não domina. Vamos acreditar, que, por se tratar de um médico residente, é um jovem ainda em fase de aprendizado.
    Primeiramente Dr. Aristotéles, defensivos agrícolas, quando utilizados dentro das recomendações técnicas, não são venenos para o homem, e sim uma importante ferramenta para as dificuldades encontradas nos trabalhos desenvolvidos no campo, e uma das tecnologias que levaram o Brasil a se tornar a potência agrícola que é atualmente.
    Assim como o Sr. como médico, ao recomendar uma droga para um paciente, e ela é utilizada fora das recomendações, esse medicamento pode se tornar um veneno que em alguns casos pode ser letal. E com certeza o Sr. não recomendaria um “veneno” a um paciente, e nem tampouco o Dr. gostaria de ser citado como um defensor árduo da indústria farmacêutica, que tem no Brasil uma das suas maiores fontes de renda.
    O fungicida em questão (Carbendazim), é um principio ativo presente em 33 produtos comercias registrados no Brasil, com uma IDA (Ingestão Diária Aceitável) de até 0,02 mg/kg de peso corporal. Registrado para aplicação foliar nas culturas de algodão, feijão, citros,maçã, soja e trigo. E para o tratamento de sementes de feijão, milho e soja. Também é utilizado como preservante de madeira(dormentes, postes,cruzetas,cercas, etc), com devido registro no IBAMA. Ao contrário do que o Sr.afirma, não é o ministro, nem apenas o Ministério da Agricultura responsável pela autorização do registro de um produto a ser usado na agricultura no país. Toda molécula para ser introduzida no mercado, passa por uma bateria de testes e triagens que levam anos para serem concluídas, e sujeitos ao crivo do Ministério da Agricultura, da ANVISA e do IBAMA.
    A substância (Carbendazim) é proibida em produtos cítricos nos Estados Unidos, porém permitida no Brasil, no combate à pinta preta e estrelinhas, que são doenças comuns nos pomares de laranja. E é um dos poucos produtos eficazes no controle dessas enfermidades, utilizados em esquema de rotação de produtos. O Brasil, maior exportador de suco de laranja do mundo vai continuar dependendo do fungicida “proibido”, ainda que isso coloque em risco a exportação para os USA, uma vez que o produto é permitido no Canadá, União Européia, Japão, entre outros.
    O FDA ( Food and Drug Administration), orgão governamental Americano responsável pelo controle de alimentos, produtos farmacêuticos, cosméticos, etc., afirmou que os níveis de Carbendazim encontrados no carregamento em questão, não eram nocivos à saúde, e que não pretendia fazer um recall do produto brasileiro, apenas iria intensificar os testes, e caso alguma partida apresentasse quantidades elevadas, esta seria bloqueada, não determinando no entanto, qual limite será tolerado.
    Na verdade, Dr. Aristóteles, essas ameaças não passam de simples retaliação, porque coincidentemente elas ocorreram dias após o Brasil conseguir duas importantes vitórias em disputas comerciais com os Estados Unidos. Na semana passada, o Departamento de Agricultura dos USA, autorizou o embarque de carne suína in natura do Brasil, uma antiga demanda dos produtores de SC. No final de Dezembro, o Congresso americano, não renovou as barreiras comerciais existentes contra a entrada do etanol brasileiro no país, uma das mais antigas reinvidicações do Brasil, e o principal entrave à exportação do etanol.
    Essa disputa sobre o suco de laranja é ainda mais antiga, devido à pressão dos produtores da Flórida,e já resultou em disputa comercial na OMC.

    Att
    Emílio Luiz
    Eng.Agrônomo

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