Espécies da caatinga que podem servir de base para medicamentos contra Covid-19 são alvo de estudo entre Univasf e Noruega

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Maracujá da Caatinga é uma das espécies estudadas/foto: arquivo pessoal

Diversas espécies de plantas da caatinga são alvo de um estudo realizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas de Plantas Medicinais (Neplame) da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) com o objetivo de identificar moléculas a serem testadas para o desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento da Covid-19. A pesquisa acontece em parceria com a Universidade de Bergen, na Noruega, por meio de um acordo de cooperação técnica.

O coordenador do Neplame e professor do Colegiado de Farmácia, Jackson Guedes, explica que o estudo integra um projeto internacional, coordenado pelo professor Torgils Fossen, da Universidade de Bergen, e envolve pesquisadores da Tanzânia e da Palestina. A iniciativa visa testar produtos naturais da biodiversidade brasileira contra o SARS CoV-2, vírus causador da Covid-19. “Nós vamos selecionar moléculas de plantas do bioma Caatinga com potencial para ser utilizadas em testes de combate ao coronavírus na Universidade de Bergen”, relata Guedes.

A equipe do Neplame, formada por pesquisadores em diversos níveis (professores, técnicos, estudantes de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado), já está trabalhando no isolamento de moléculas de algumas espécies, entre elas Passiflora elegans (maracujá de estalo), Passiflora cincinnata (maracujá da Caatinga) e Annona coriacea (bruteira). Os pesquisadores se detêm sobre as folhas e as cascas das plantas de onde extraem moléculas como alcaloides, flavonoides e terpenoides para os testes. “O objetivo é descobrir moléculas de origem natural que se mostrem eficazes no combate ao vírus e possam no futuro ser destinadas à produção de novos medicamentos para o tratamento da doença”, afirma o professor.

Guedes ressalta que há dezenas de fármacos que passaram recentemente por estudos de reposicionamento de medicamentos no mundo inteiro, mas são substâncias sintéticas, já utilizadas em medicamentos para tratar outras enfermidades. “Nosso desafio é grande. A biodiversidade da Caatinga é muito vasta e nos fornece várias moléculas que podem ser alternativas para o desenvolvimento de novos tratamentos contra a Covid-19. Vamos testar várias substâncias naturais”, observa. A expectativa é que as moléculas selecionadas sejam enviadas para a Universidade de Bergen em meados deste ano para a realização dos testes em laboratório com o uso do vírus SARS CoV-2.

Etapas

Ele frisa ainda que o desenvolvimento de um novo fármaco envolve várias etapas. A primeira delas é o estudo in silico, com o uso de modelos computacionais. Em seguida, a depender dos resultados dessa primeira fase, a pesquisa passa a ser realizada in vitro e somente depois de mais essa etapa concluída passa-se ao estudo in vivo, com o uso de animais em laboratório.

Em média, essas três etapas levam cerca de sete anos para serem concluídas. “Somente depois de todas essas etapas, são realizados os estudos com humanos. No entanto, a exemplo do que aconteceu recentemente com as vacinas, esperamos que esse tempo seja reduzido, em virtude das informações que os pesquisadores conseguiram obter nos últimos meses a respeito do vírus”, informa o docente. Ele ressalta que o estudo será registrado junto ao Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado (SisGen).

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