Em vídeos, Cemafauna Caatinga explica comportamento das abelhas na região nessa época do ano

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Foto: divulgação

Um incidente que terminou em tragédia em Petrolina, na última segunda-feira (14), deixou um pequeno inseto na berlinda. Abelhas que produziam uma colmeia dentro de uma das sepulturas do Cemitério Campo das Flores, na área central da cidade, atacaram motoristas e pedestres que passavam pelas imediações. Um idoso de 71 anos não resistiu aso ferrões e veio a óbito. Outras sete pessoas ficaram feridas e foram atendidas na UPA da Avenida Honorato, Viana. Quem testemunhou tudo, disse que foi um cenário de horror. Mas especialistas garantem se tratar de um fato incomum. As abelhas só atacam pessoas quando são provocadas, o que reforça a hipótese de que alguém tenha mexido no enxame.

Outros registros da presença de abelhas em vários locais de Petrolina já foram feitos desde então, inclusive divulgados por este Blog. Para tirar dúvidas da população, o Centro de Conservação e Manejo de Fauna (Cemafauna) da Caatinga, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), elaborou uma série de vídeos informativos, que estão disponíveis para acesso no canal do Cemafauna no YouTube.

Um dos esclarecimentos sobre o assunto diz respeito justamente ao processo conhecido como enxameamento ou enxameação, muito comum durante a florada, após o período das chuvas no Nordeste. É este fenômeno que tem acontecido em diversos bairros das cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), nos últimos dias.

A bióloga Aline Andrade, pesquisadora do Cemafauna que aparece nos vídeos, se dedica a estudar o comportamento desse inseto que, entre tantos benefícios é importante para o equilíbrio do ecossistema, a produção de alimentos e também para a economia. Ela explica que o enxameamento é o processo natural de multiplicação ou divisão reprodutiva de uma colônia, que ocorre quando parte de uma colmeia vai estabelecer uma nova colônia. “As abelhas-operárias saem, geralmente com uma rainha mais velha, para estabelecer uma nova colônia”, explica Aline, que também estuda as áreas de biomonitoramento, ecologia química e genética das abelhas.

Como os enxameamentos são comuns nesta época, é importante que a população mantenha a calma e acione a equipe de resgate de abelhas ao identificar colmeias ou enxames. Em Petrolina, o serviço é realizado pelo SOS Resgate de Abelhas, que é composto por diversos órgãos – entre os quais o Centro de Zoonoses e a Agência Municipal de Vigilância Sanitária (AMVS), o 4º Grupamento do Corpo de Bombeiros (CB) e o Cemafauna, que elaborou o termo de referência do projeto de resgate, manejo e destinação das abelhas e também atua na capacitação e reciclagem dos profissionais envolvidos nas atividades. O número do SOS é o (87) 3867-4774. O resgate costuma ser realizado durante a noite.

A espécie identificada nos enxameamentos registrados na região é a Apis mellifera, também conhecida como abelha africanizada, que é uma espécie exótica. De acordo com a pesquisadora, essa espécie requer mais atenção, por ser defensiva. Aline frisa que é importante manter a tranquilidade e nunca atear fogo, jogar água ou qualquer substância nos insetos. “Isso pode irritar as abelhas, que podem começar a se defender e é impossível realizar o resgate com abelhas dispersas”, alerta. De acordo com a Lei Nº 9.605/98, o extermínio de abelhas é um crime ambiental.

Polinização

As abelhas são de grande importância para o ecossistema. Estima-se que a polinização praticada por elas seja responsável por cerca de 70% da produção de alimentos no mundo. Aline também destaca a importância econômica de outros produtos apícolas além do mel, como própolis, gelprópolis e apitoxina (veneno da abelha usado em terapias médicas). Segundo a pesquisadora, com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), houve um aumento no consumo destes produtos, devido à sua natureza proteica alimentar, no caso do mel, e característica terapêutica de produtos como a própolis, que tem propriedades antifúngicas, antivirais e antimicrobianas, que ao serem associados podem fortalecer o sistema imunológico.

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