CCJ do Senado debate política de cotas nas universidades

por Carlos Britto // 19 de março de 2009 às 22:00

Por quase cinco horas, parlamentares da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado ouviram  nesta quarta (18) argumentos a favor e contrários ao projeto de lei, aprovado pela Câmara dos Deputados, que dispõe sobre as cotas para ingresso nas universidades públicas e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio.

O juiz federal e professor voluntário da rede de pré-vestibulares comunitários Educafro, Willian Douglas, defendeu a adoção da política de cotas para os negros como forma de reduzir as desigualdades no país. Para ele, hoje, os ricos estão na escola pública e os pobres na particular.

“Temos que tratar os desiguais desigualmente”, disse. “Não podemos aceitar que os brancos pobres sejam discriminados, mas os negros pobres são ainda mais discriminados. Eles precisam de algo mais”. Emocionado, ele afirmou que colocar um negro pobre ao lado de um branco rico para prestar o vestibular é como “entregar um fusca para um e uma ferraria para o outro”.

Segundo ele, as pessoas que ingressaram nas universidades públicas por meio das políticas afirmativas tiveram notas iguais ou melhores do que a média e faltaram menos do que os demais alunos. O procurador do Rio de Janeiro e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) Augusto Werneck também defendeu as cotas e disse que a aprovação do projeto pode “apagar uma mancha terrível da nossa história”.

A representante do Movimento Nação Pardos e Mestiços Euderli Castro de Sá Alves defendeu que a melhor solução para dar acesso às minorias seria a adoção de investimentos maciços em educação. “As cotas vão gerar conflitos. Todos somos capazes de conquistar nossos espaços”, afirmou.

Para o sociólogo e doutor em geografia humana Demétrio Magnoli, a discussão sobre cotas sai do âmbito racial e inclui o significado de políticas democráticas. Para ele, reservar cotas raciais é uma “demagogia barata”. “Se for pela reparação pelo período de escravidão, é desconhecer a história, a genética. Brancos têm antepassados negros assim como negros têm descendentes brancos”, argumentou. “A verdadeira finalidade desse projeto é produzir raças e fazer o que a história do Brasil não fez”, afirmou acrescentando que a política de cotas vai criar uma divisão racial no país.

O cientista político Bolívar Lamounier afirmou que o projeto aprovado pela Câmara e em tramitação no Senado é “frontalmente” inconstitucional. “Quando se subtrai vagas para alguns competidores a Constituição está sendo violada”, observou. Ele argumentou ainda que o projeto vai criar a figura jurídica da raças “que não existe no país há mais de 100 anos”.

CCJ do Senado debate política de cotas nas universidades

  1. nanuca disse:

    A adoção de cotas para as pessoas de cor é um retrocesso maior do que a primeira idéia racista na história da humanidade. É uma medida equivocada, demagógica e eleitoreira.Poderemos estar reinaugurando o racismo. Precisa-se tomar vergonha emelhorar a educação pública e avançar nas políticas sociais, sem essa de promover o racismo. Os pobres e pretos que tiveram oportunidade de estudar estão competindo e ocupando espaços que antes somente os brancos e ricos ocupavam.

  2. Feeling disse:

    Acho que o pessoal que se confia em cotas, tem que parar de pensar nessa brecha inconstitucional, isso só tá criando repudio diante da população brasileira, eu mesmo não passei em Direito na UNEB por causa dessa cotas, quer dizer: meu pai paga super caro em colegio particular pra uma restrição no vestibular. Isso é um absurdo… sem contar que ninguem no Brasil é negro realmente, somos mestiços, é total falta de carater alguém se auto considerar negro! Esse negocio de que cotistas tiveram notas iguais ao”normais” é pura demagogia, pelo contrario, são os que possuem maior indice de desistencia!!! Engraçado é que os pobres coitadinhos estão em diversos cursinhos de Juazeiro e Petrolina, ops… pera ae, eles não eram excluidos da sociedade? Quanta mentira, quanta esculhambação nesse pais, vai demorar muiiitttooo pra ser destaque mundial, as outra nações riem da gente, na America Latina nem existe vestibular, Pais de 3 Mundo é cilada!

  3. Fernando disse:

    SOU A FAVOR DAS COTAS PARA ALUNOS ORIUNDOS DE ESCOLA PUBLICA, POIS EXISTE MUITOS NEGROS RICOS ORIUNDOS DE ESCOLA PARTICULAR, POIS OS POBRES TEN QUE TRABALHAR É E INADIMICIVEL JUNTAR TRABALHO COM ESTUDO, DIFERENTE DE UN ESTUDANTE RICO QUE SO ESTUDA E NÃO SE PREOCULPA EN SE ALIMENTAR E ALIMENTAR SUA FAMILIA; QUERO DIZER PARA O MEU AMIGO MANUCA QUE CONCORDO COM ELE SO QUE TEMOS QUE PENSAR NOS QUE NÃO TIVERAM ESSA EDUCAÇÃO QUE E CULPA DO PAÍS E NÃO NOSSA, E QUERO TAMBÉM DIZER A FELLING QUE EU FAÇO CURSINHO PRÉ-VESTIBULAR E CONHEÇO MUITA GENTE QUE PAGA O CURSINHO COM O SEU SUOR COM 8 h DIARIAS DE TRABALHO DURO DIFERENTE DE VOCÊ QUE SEMPRE TEVE UN PAI COM CONDIÇÕES PARA CUSTEIAR SEUS ESTUDOS.

  4. Feeling disse:

    Caro amigo Fernando, já que essas pessoas tem condições de pagar seus pré-vestibulares, então tem condições de passar em vestibulares.Podem concorrer a 100% das vagas e não apenas 45%, isso é uma restrição para ambas as partes. Tem que investir na educação e deixar de sem vegonhice,volto a comparar o Brasil com Chile e Argentina onde as escolas particulares e publicas tem o mesmo nivel, se esses dois paises tão proximos conseguem porque o Brasil não consegue?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *