Artigo do leitor: “Qual será o futuro das populações ribeirinhas?”

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Foto: Divulgação

Neste artigo enviado ao Blog pela Comissão das Comunidades de Sento Sé, Norte da Bahia, integrantes de 16 organizações de trabalhadores ribeirinhos, localizados nas margens do Rio São Francisco, se juntaram para assinar uma carta-denúncia em que pedem esclarecimentos aos órgãos públicos municipais, estaduais e federais sobre o fluxo intenso de transportes pesados na região que carregam mineração. Segundo os ribeirinhos, a ação trata-se de um desrespeito com as comunidades. Confiram a carta na íntegra:

Qual será o futuro das populações ribeirinhas?

Nós, das comunidades tradicionais ribeirinhas localizadas no entorno da Serra da Bicuda em Sento Sé/BA, às margens do rio São Francisco (Ponta D’Água, Volta da Serra, Cajuí, Retiro de Cima, Retiro de Baixo, Tombador, Pascoal, Limoeiro, Aldeia, Andorinhas e Itapera), impactadas pela Tombador Iron Mineração, denunciamos a seguinte situação:

A chegada de 20 carretas bitrens para transportar a produção da Tombador Iron Mineração, no dia 25 de maio de 2021, mais uma vez demonstrou o desrespeito da empresa com as populações das comunidades acima citadas. Não fomos informadas sobre a chegada dos transportes de grande porte, tampouco das licenças concedidas à Tombador Iron pelas instâncias Federal, Estadual e Municipal. Licenças essas concedidas sem a realização da consulta prévia, livre e informada às comunidades.

Nós, das comunidades, perguntamos: Essas estradas que ligam Sento Sé às comunidades irão suportar o tráfego constante dessas carretas com dezenas de toneladas de minério? As pessoas que têm suas roças à margem das estradas de chão conseguirão trabalhar em meio a tanta poeira provocada pelo transporte? As estradas públicas se tornaram privadas? Como nós, das comunidades, iremos trafegar para a sede do município em meio tanta poeira e velocidade com que esses veículos passam? Nas estradas onde eles atravessam, vamos perder o direito de ir e vir, visto que eles não têm o menor respeito com o povo? E a estrada de Sento-Sé a Juazeiro, será que vamos voltar ao tempo que levava cinco horas pra chegar?

Os acidentes com certeza irão aumentar por conta da velocidade das carretas, pois os motoristas perdem a visibilidade com a grande quantidade de poeira. Para onde vamos? Em apenas 24 horas da chegada desses transportes, trabalhadores/as já estão impedidos de fazer atividades em suas roças, por conta da poeira. Como será o dia a dia das comunidades tradicionais ribeirinhas, tendo em vista que a Tombador Iron tem capacidade de produção de 400 toneladas de minério por hora?

Outra coisa que precisa ser esclarecida é: Se o Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA) concedeu a Licença de Operação no dia 20 de maio de 2021, como em quatro dias já havia material suficiente para carregar 20 carretas bitrens?

Exigimos respeito! Somos gente, das comunidades tradicionais, e seguimos na luta pelos nossos direitos!

Comissão das Comunidades Atingidas pela Tombador Iron Mineração

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