Artigo do leitor: “O sussurro dos excluídos”

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prof paulo psol - CopiaNeste artigo enviado ao Blog, o presidente do PSOL de Juazeiro, Professor Paulo José, fala em “desmobilização” do Grito dos Excluídos pela classe política dominante – algo que foi visto não apenas na cidade este ano, como no restante do país –, o que acaba abafando questões de relevância no cenário nacional e regional.

Confiram:

Com a eleição do novo Congresso Nacional, composto majoritariamente por empresários, ruralistas, profissionais liberais, imbuídos pelo propósito liberalizante da economia e do mercado de trabalho, tirando proveito de um Governo fragilizado e enterrado em denúncias de corrupção de todos os matizes. O Brasil vive, nesse momento, uma intensa, porém silenciosa, luta de classes em que a ditadura do capital, revestido de democracia liberal, impõe derrotas de difícil reversão no cenário político e de enormes repercussões na vida social do país principalmente na classe trabalhadora.

Nesse cenário, observamos no Sete de Setembro uma imensa multidão nas ruas a  festejar os 193 de independência do Brasil, e em Juazeiro,  obviamente, não foi diferente. Não obstante o belo desfile proporcionado pelas escolas, instituições civis e militares, com suas fanfarras e bandas vibrantes e afinadas, os enredos referenciando as olimpíadas do Rio 2016, tudo muito bonito e de muito bom gosto.

No entanto, o Sete de setembro sempre foi um espaço para a população manifestar suas preocupações cívicas, que a meu ver foi secundarizada como uma forma  de diluir a gravidade dessas preocupações. O Rio São Francisco está em situação muito crítica; o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano de Juazeiro) ocupa um lugar preocupante no ranking das cidades da Bahia e do Brasil; o IDEB, que afere o nível da educação básica está muito aquém do que se preconizam as metas do MEC; o IDSUS, que baliza o atendimento do sistema de saúde, também se apresenta de forma débil.

A cidade figura entre as mais violentas do Estado, a seca que se prolonga há anos, mudou inclusive de nome: agora é crise hídrica. “A Câmara de Vereadores, que se diz a “casa do povo”, votou contra a moção de aplausos ao juiz federal que lidera a equipe da “Operação lava Jato”, que combate a corrupção no País, além da inflação, desemprego etc. Todos esses problemas passaram longe de ser abordados de forma crítica.

A esperança estava no Grito dos Excluídos, que outrora ecoava com suas músicas revolucionárias, suas palavras de ordem gritadas a plenos pulmões por integrantes dos movimentos sociais. No entanto as poucas pessoas e faixas trazidas reduziram o outro grito retumbante do excluídos em apenas um inaudível sussurro. É evidente que as estratégias de desmobilização dos movimentos sociais patrocinada pela elite governista é a legitimação do poder pelo poder. E para a população, que ficou apenas a ver “a banda passar”, é a depredação da cidadania, além do empobrecimento econômico. O Brasil e a nossa cidade apresentam um preocupante empobrecimento político.

Professor Paulo José/Presidente do PSOL – Juazeiro (BA)

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