Artigo do leitor: “O Luna Park”

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Em mais um artigo nostálgico, o leitor Flávio Cabral relembra outro momento antológico da Petrolina antiga. Confiram:

O Luna Park chegou a Petrolina no começo de fevereiro de 1972.  Instalou-se ao lado da Catedral. Ainda não havia a Concha Acústica. Logo de cara, chamou a atenção pelo porte dos brinquedos e pelo fato de ocupar uma área tão nobre da cidade. Não era comum parques de diversão se instalarem tão próximo à Catedral. Neste mesmo local, em 1962, nosso 4º bispo, Dom Antônio Campelo de Aragão, realizou  o 1º Congresso de Ação Social Católica.

Petrolina toda, que naquela época tinha  pouco mais de sessenta mil habitantes, se alvoroçou. Crianças, adolescente, jovens e adultos não tinham outro assunto, só falavam  do parque que havia chegado.

Os brinquedos que mais chamavam a atenção eram a roda gigante, o trem fantasma e o tira-prosa, que foi armado em frente à casa de Seu Waldemar Costa.

A roda gigante foi a mais alta que Petrolina já viu. O trem fantasma era uma novidade. Um colega nosso convidou uma paquera para conhecer o tal brinquedo na esperança de que ela se assustasse e procurasse abrigo em seus braços. Em vão. Ele se assustou mais do que ela.

O tira-prosa, que  era o brinquedo mais radical,  fez muito petrolinense machão, aos gritos, pedir para parar. Sem contar os que desceram vomitados e borrados.

Apesar da grandiosidade do Luna Park, sua discoteca era muito limitada. ‘Detalhes’, música do LP de Roberto Carlos recém-lançado, e a 40ª Sinfonia de Beethoven eram tocadas pelos menos 10 vezes por noite, cada uma.

O autofalante, além da execução das músicas, prestava serviço de utilidade pública, transmitindo avisos e o oferecimento de páginas musicais para incrementar a paquera entre os presentes:

“Atenção garota que está trajando saia preta e blusa branca, ouça esta linda página musical, que alguém lhe oferece com muito amor”.

Quando descobrimos que os avisos eram “de graça”, resolvemos fazer uma brincadeira: cada dia, um de nós passava a carteira de estudante a um amigo que se dirigia ao estúdio, entregava a carteira ao locutor informando que tinha acabado de encontrar. O locutor então bradava aos quatros cantos: “atenção sr. Fulano de tal, sua carteira de estudante foi encontrada. Venha pegar aqui no nosso estúdio”. Foi assim durante, pelos menos, uma semana. Até que o locutor descobriu nossa treita e cortou o barato.

O Luna Park ficou em Petrolina por mais de um mês. Até que os comerciantes foram se queixar  ao Prefeito Simão de Amorim Durando que o movimento do comércio estava muito fraco. O povo estava gastando tudo no Luna Park. 

O Luna Park foi embora, mas deixou muita saudade e essas duas músicas ficaram  marcadas em cada um de nós, que vivenciamos esse momento indelével  de nossa querida Petrolina.

Flávio Cabral/Leitor

9 COMENTÁRIOS

  1. Lembro-me muito bem. Era criança e morava na Rua Antônio Santana Filho. Ia escondida e ficava a esquina do Colégio Maria Auxiliadora… Velhos tempos , belos dias!!!

  2. Me lembro bem dessa passagem do Lima Park, eu era criança e tinha meus 7 anos de idade e morava na Rua Antônio Santana Filho… E me lembro muito bem das músicas de Roberto Carlos… parabéns Flavio Cabral por resgatar o passado de nossa Cidade.

  3. É com prazer que leio mais um excelente texto produzido por Flávio Cabral. Ele nos proporciona a oportunidade de reviver momentos marcantes de nossa vida. Impressionante a lembrança de detalhes significativos, que retornam à nossa memória de forma nostálgica e agradável. Isto, sim, é CULTURA!

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