Artigo do Leitor: “Juazeiro, falta de autoestima ou repetição de erros na gestão?”

por Carlos Britto // 22 de abril de 2026 às 20:06

Foto: divulgação

Neste artigo, o leitor Teobaldo Pedro reflete sobre os caminhos que levaram Juazeiro (BA) a enfrentar desafios de desenvolvimento, questionando se o problema está na autoestima da população ou em decisões administrativas repetidas ao longo do tempo. Ao comparar com Petrolina (PE), ele defende que o avanço de uma cidade e as dificuldades da outra não são fruto do acaso, mas de escolhas, planejamento e continuidade, apontando a necessidade de romper padrões e adotar uma gestão mais estratégica e inovadora.

Confiram:

Afinal, juazeiro tem um problema de autoestima ou repetidos equívocos de gestão com prioridades erradas? Talvez esta seja sim a real questão!

Juazeiro não perdeu importância por acaso, nem Petrolina cresceu por sorte. O que separa as duas cidades não é o rio São Francisco, mas o acúmulo de decisões ao longo do tempo. Enquanto Petrolina construiu uma trajetória baseada em continuidade, planejamento e visão estratégica, Juazeiro fragmentou seu próprio futuro em ciclos administrativos curtos, muitas vezes desconectados entre si. O resultado não é apenas uma diferença de desenvolvimento, mas de percepção coletiva sobre o que de fato a cidade já é e no que pode vir a se tornar.

Reduzir esse cenário a um problema de autoestima é confortável, mas superficial. Autoestima não se decreta, não se impõe e nem se sustenta em narrativas. Ela nasce quando a realidade cotidiana começa a confirmar expectativas de progresso, organização e pertencimento. Quando isso não acontece, o incômodo que surge não é fraqueza coletiva, mas um sinal claro de que há desalinhamento entre potencial e execução. Ignorar isso é tratar sintomas e preservar causas. O erro está na abordagem.

Juazeiro não carece de identidade, nem de relevância. Carece de coerência entre o que é e o que faz com o que tem. Está inserida no mesmo território produtivo, compartilha das mesmas oportunidades e possui ativos históricos e culturais que muitas cidades não têm. O problema não é falta de recursos, mas a dificuldade de transformá-los em resultados consistentes. Isso revela uma questão mais profunda do que gestão técnica: revela fragilidade na construção de um projeto contínuo de cidade que gere eficiência.

Talvez a pergunta mais honesta não seja se Juazeiro tem baixa autoestima, mas por que, tendo tanto a seu favor, ainda não conseguiu traduzir isso em realidade visível e sustentável. A resposta não está em comparações, nem em discursos defensivos, mas na coragem de romper padrões repetidos. Como já se disse amplamente, a definição de loucura é repetir os mesmos erros esperando resultados diferentes. Cidades não mudam quando se sentem ofendidas, mudam quando líderes decidem, de forma madura e coletiva, não insistir nos mesmos caminhos que já provaram que não funcionam. É hora de ousar e inovar!

Teobaldo Pedro/Leitor

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