Artigo do leitor: “Cabrito, a carne vermelha mais saudável do mundo”

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Neste artigo, o pesquisador Clóvis Guimarães Filho destaca os benefícios da carne de cabrito, considerada a mais saudável do mundo, e que na região é muito confundida com carne de bode.

Boa leitura:

De uma maneira geral, confunde-se a carne de caprino com a de ovino. O cabrito é a cria da cabra, abatido geralmente com idade entre 4 e 6 meses, com carcaça em torno de 12 kg. Quando abatido aos 2-3 meses, carcaça na faixa dos 4-6 kg e ainda mamando, é o cabrito-mamão que vem, em alguns países, substituindo gradativamente o peru e o leitão, nas festas de final de ano.

Além do sabor característico e cada vez mais apreciado pela alta gastronomia, a carne de cabrito possui diversas vantagens em termos nutricionais se comparada às outras carnes consumidas. Essas vantagens estão relacionadas ao baixíssimo teor de calorias, gorduras e colesterol, a alta digestibilidade e aos elevados níveis de proteína e ferro.

Carne de cabrito é a carne vermelha mais magra e mais consumida no mundo. Estudo realizado pela Universidade Federal do Paraná comprovou que os baixos índices de gordura e colesterol aliados aos altos índices de nutrientes tornam a carne de cabrito recomendável para cardíacos e diabéticos.

Afora os baixos teores de gordura, o percentual de gordura saturada em carne caprina apresenta-se em torno de 40% inferior à de galinha (sem pele), sendo bastante reduzido quando comparado com bovinos (850%); ovinos (900%) e suínos (1100%)  – Addrizzo, 1990. É rica em cálcio, proteínas, ômega 3 e ômega 6, que desempenham um papel anti-inflamatório e estão diretamente ligados à resistência imunológica.

Nos EUA, Europa, Ásia e Oceania a preocupação com a saúde tem provocado grandes mudanças nos hábitos alimentares, envolvendo a inclusão do cabrito no cardápio diário. Nos EUA, maiores importadores, a carne de cabrito é cada vez mais procurada como uma carne light e gourmet.
Na revista Time, ela figura nas “top ten” tendências da gastronomia, embora ainda seja relativamente difícil de ser encontrada naquele país. No Brasil, o consumo do cabrito no Nordeste é muito limitado, já que os animais são ainda predominantemente abatidos com idade superior aos 15-16 meses. Em São Paulo, a carne de cabrito é tradicionalmente muito consumida pelas comunidades italiana, portuguesa, árabe e judaica. Mas, nos últimos anos, esta carne tem se transformado em uma das estrelas da alta gastronomia paulistana.

“É uma carne nobre, magra, saborosa e altamente digestiva. Duas horas depois o organismo já a digeriu. Inclusive, por isso, pode ser um prato feito até para o jantar” (Rivaldo Cavalieri, do Rei dos Cabritos, o maior especialista no assunto de São Paulo); “É uma carne que se destaca pela sua leveza, muito digestiva” (consultor Luiz Degrossi, especialista com mais de 50 anos de experiência no setor de cortes de carnes para alta gastronomia, ao provar o cabrito no Restaurante Rubayat).
Petrolina e Juazeiro, juntas, constituem o maior polo consumidor de carnes caprina e ovina do Nordeste, mas ainda não de cabritos e cordeiros, já que estes animais, chamados indistintamente de “bodes”, são predominantemente abatidos com idade avançada – boa parte até acima dos dois anos. Ou seja, praticamente só comemos carnes de animais velhos, “erados”. Para mudar esta situação, alguns produtores da região do Pontal, Petrolina, sob orientação técnica da Projetec-Plena-Codevasf, começaram a priorizar a produção de cabritos, buscando ofertar inicialmente animais para abate até 8 meses de idade.

Foi a primeira iniciativa de produção organizada desse produto nesta região, em condições de sequeiro, buscando ofertar de forma regular e a preço competitivo um produto de qualidades nutricional e organolépticas superiores. Com a desativação do projeto de assistência técnica, em 2015, por corte nos recursos, a oferta do produto entrou em ritmo decrescente e praticamente parou. Ainda é possível conseguir cabritos deste tipo mediante encomenda a alguns poucos produtores da área. Ainda bem que outras iniciativas nesse sentido começam a surgir, nos dois lados do rio. O sucesso é garantido.

Clóvis Guimarães Filho/Pesquisador

6 COMENTÁRIOS

  1. ” Carne de cabrito é a carne vermelha mais magra e “mais consumida no mundo”. Estudo realizado pela Universidade Federal do Paraná comprovou que os baixos índices de gordura e colesterol aliados aos altos índices de nutrientes tornam a carne de cabrito recomendável para cardíacos e diabéticos.”

    Mais consumida no mundo, caramba o povo vende mais cabrito que boi.

  2. Excelente artigo, muito esclarecedor, sobretudo partindo de um pesquisador.
    Irreverente por temperamento odeio esse modismo “vegano” que se espalhou pelo mundo.
    Outrossim o queijo de leite de cabra é um “must”, bastante apreciado e consumido nas altas rodas.
    Por que o preconceito quanto à carne de cabrito?
    Na Grécia as cabras andam soltas nas ilhas do grande arquipélago e os derivados são apreciados e que se saiba jamais houve mortandade por “envenenamento”…
    Nem vou mencionar o queijo feta, muito consumido na Grécia, mescla de leite de cabra e ovelha e o Camembert de chèvre, uma variedade francesa deliciosa e outras tantas mundo afora.
    Acho que o segredo está no preparo da carne, isso sim.
    E como sou anti-vegana e anti-modismos alegro-me.
    Imagino se todos os gaúchos com seus deliciosos churrascos e os argentinos com sua carne de gado excelente forem morrer de repente em massa….
    E os alemães com suas deliciosas iguarias à base de carne de porco e embutidos?
    O exagero, sem dúvida é o problema. A moderação é uma virtude.
    Fico enlouquecida vendo aquele povo africano, crianças cadavéricas com FOME.. Isso sim é um grave problema que deveria preocupar o mundo dito desenvolvido.
    O resto é folclore.
    Saudações pelo belo artigo tão esclarecedor.

  3. Sem dúvida excelente artigo, o Brasil como excelente território para produção da espécie e grande produtor principalmente o Nordeste precisa investir em marketing.

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