Artigo do leitor: “Ainda dá para ter esperança?”

por Antonio Carlos Miranda // 24 de setembro de 2026 às 20:30

Foto: divulgação

O professor Edson Evangelista de Oliveira faz, neste artigo, uma análise pertinente e reflexiva do cenário atual não só no país, mas no mundo. Confiram:

Ainda podemos falar de esperança? Creio que sim, embora hoje seja difícil. Como falar de futuro para um jovem que passa o dia recebendo notícias sobre guerras, violência, crises, conflitos políticos e escândalos? Muitos líderes também dão maus exemplos. Diante disso, é compreensível que muitos jovens tenham dificuldade para acreditar que o amanhã pode ser melhor para eles.

Estamos mais conectados, mas isso não significa que estejamos mais próximos. Mesmo assim, a esperança continua possível. Ela pode começar nas coisas simples: uma conversa, uma saudável relação, uma sala de aula, uma criança aprendendo a olhar o mundo de outra maneira bem diferente.

Depois da Segunda Guerra Mundial, grandes projetos prometeram construir um mundo melhor. Comunismo e capitalismo seguiram caminhos diferentes, mas nenhum realizou tudo o que prometeu. O que restou é como uma cobra de vidro quebrada: os pedaços estão espalhados e não basta simplesmente juntá-los. É preciso compreender o que aconteceu e buscar novos caminhos. Talvez a mudança não venha apenas dos grandes líderes ou dos grandes sistemas, mas sim também das pequenas ações do presente, especialmente na educação e na formação das futuras novas gerações.

Outro desafio é a nossa dificuldade de dialogar. Cada pessoa quer defender sua própria opinião e, muitas vezes, quem pensa diferente passa a ser tratado como inimigo. Isso acontece na política, nas redes sociais e até dentro das famílias. Precisamos reaprender a ouvir, respeitar e conviver com as diferenças. Desde Aristóteles, o ser humano busca compreender quem é e qual o sentido de sua existência. Talvez crianças e jovens possam nos ajudar a fazer novas perguntas e encontrar novas respostas para um mundo o qual já se envelheceu, mas que ainda pode mudar positivamente.

A espera é cruel, mas nós não precisamos esperar de braços cruzados. Esperança não significa ignorarmos os problemas. Ela significa reconhecer as dificuldades e, ainda assim, acreditar que nossas ações podem produzir mudanças. Nosso futuro começa no presente, na educação, na família, nas relações humanas e na formação de uma nova geração que trará o novo.

Talvez esteja nas crianças e nos jovens todo um novo olhar capaz de trazer algo diferente para este mundo cansado. Como disse um artista de Juazeiro, Bahia: “Estamos nos últimos dias de outrora”. Sim, os dias de ontem estão terminando. E isso também pode significar que novos dias estão apenas começando. Tenhamos esperança que seja bom.

Edson Evangelista de Oliveira/Juazeirense, formado em Administração, Matemática e Direito, especializado em Gestão Pública pela Univasf, é Psicopedagogo pela UPE e cursa Licenciatura em Química no IFSertãoPE

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