Artigo do leitor: “A última geração”

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Imagem: Ilustração

Neste artigo enviado ao Blog, o leitor Antonio Damião Oliveira faz uma reflexão sobre as transformações que acontecem de geração para geração. Com as mudanças que o mundo tem passado, ele acredita que esta é a “última geração de ouro”, descrevendo seu passado e projetando o futuro que ele acredita. Confira o artigo na íntegra:

A última geração

É muito triste despedida, mas infelizmente estamos partindo, somos as últimas gerações de ouro. A geração que dava ouvido aos pais, que tinha mais sensibilidade, mais compaixão, muito mais amor ao próximo, que era mais obediente, que respeitava os professores, que não os agredia e nem os tratava com insultos e nem qualquer tipo de ofensas. Quando eles entravam na sala de aulas, a gente ficava de pé, que diferença do passado para o nosso tempo presente. Naquele tempo cantávamos o hino nacional com muito respeito e todos os dias participávamos do hasteamento da bandeira, era um tempo inesquecível que ficou guardado na memória e não voltam mais.

Estamos indo embora. É verdade que não tínhamos a engenhosa tecnologia da era moderna, a única coisa que se possuía era um rádio, esse com certeza, é o mais antigo meio de comunicação que não será substituído, pode inovar muitas coisas, podem criar coisas inimagináveis, mas sempre permanecerá imbatível. Nunca será considerado ultrapassado, obsoleto ou fora de uso, ninguém conseguirá apagar suas ondas sonoras, podem melhorar e modernizar, mas jamais deixará de existir, irá sobreviver, daí a sua importância para todas as pessoas, de qualquer condição social.

Nós também não tínhamos as ferramentas tecnológicas dos tempos de hoje, a matemática se aprendia sem contextualização, era somente cálculos, matemática pura e aplicada, sem essa de YouTube, nada de Instagram, nem de Facebook, nada de professores dando aula em vídeo aulas, era no quadro negro mesmo, no tempo do giz, não havia pincel, contudo, aprendíamos os conteúdos. Os alunos dominavam os assuntos, não fazia de conta que aprendia, sentíamos prazer em fazer as tarefas, erámos amantes dos livros, gostávamos de leitura, embora, no meu mundo particular tinha extrema dificuldade em interpretação de textos. Redação era uma tortura, não conseguia macular a pagina em branco, as ideias não saiam, às frases não se completavam, não conseguia organizar tudo e descrever em uma folha de papel, tal deficiência, superei com muito sacrifício, só depois de muito tempo, já no período da faculdade.

A geração da era contemporânea tem tudo, estão alcançando os maiores avanços e descobertas, mas continuam isoladas no seu mundo particular, não dialogam mais, passam a maior parte do tempo em um plano virtual, a prioridade é o celular, são as redes sociais, os entretenimentos tecnológicos são mais fascinantes e os deixam magnetizados. Até as famílias quando saem juntas, sentados em uma mesa, todos estão com seus celulares, todo mundo online, em tempo real, ninguém fala nada, todos os olhares e atenções estão voltados para seus computadores portáteis.

A gente também namorava muito, brincávamos bastantes, tínhamos apelidos e ninguém se importava, não existia essa de discriminação, todo mundo era igual, todo mundo se divertia, sem nenhum problema ou constrangimento. Também ouvíamos músicas, mas elas não agrediam nossos ouvidos, não incitava a violência, nem qualquer tipo de baderna, eram letras leves que não pervertia a prática do sexo, não incitava ódio aos policiais, não censurava as mulheres e nem qualquer tipo de incentivo as drogas sejam quais forem. Além disso, desde quando tirara da grade escolar o ensino religioso, as coisas pioraram e o temor a Deus deixou de existir, o homem se distanciou dos princípios da moral e da fraternidade.

Nós tínhamos interesse em estudar, queríamos ser alguém na vida, pois, os estudos eram os únicos legados deixados por nossos pais, eles não tinham recursos financeiros. Naquela época também se divertia muito, não éramos perfeitos, tínhamos vários problemas, passávamos por momentos difíceis e situações de apertos, mas a confiança em Deus era a nossa maior esperança de dias melhores. A escola era a nossa segunda casa, o nosso ambiente alegre e muito descontraído, as amizades eram construtivas, fundamentados em espírito de corpo, algo duradouro e prazeroso. Poxa, tudo isso era muito legal, uma inspiração aquele ambiente escolar. Os professores queriam a nossa felicidade, a nossa realização pessoal, o nosso crescimento e amadurecimento para o enfrentamento da vida.

A prática esportiva tinha um lugar especial em nosso coração. As danças eram leves, as quadrilhas da época de São João eram bem sertanejas e matutas, com muita gargalhada e diversão. Nós ajudávamos nossos pais nas tarefas domésticas, respeitava os mais idosos, nem tinha qualquer tipo de lei que os protegia naquele tempo, mas agir assim era uma grande virtude, porém, nossos pais nos ensinaram desde a tenra idade respeitar essas pessoas. A nossa geração está indo embora, uma nova geração está surgindo, um legado de bons ensinamentos estamos deixando, nossos pais nos ensinaram através de orientações, disciplinas e correções, ás vezes, tinha que dá umas palmadas, mas visando nosso desenvolvimento como cidadão e ser útil a nossa sociedade.

Infelizmente existem leis proibindo os pais de agirem assim, a consequência disso, é visitar os filhos nos presídios, mergulhados nas drogas, no alcoolismo e qualquer tipo de escravização em sua existência. A nossa geração está com seus dias contados e, por incrível que pareça, muitos de nós ainda não sabemos dominar os computadores de hoje e nem tampouco os celulares sofisticados, não conseguiram dominar as ferramentas da tecnologia. Contudo, uma nova geração está construindo sua história, embora totalmente diferente da nossa, mas espero que possa plantar uma semente fértil e, sobretudo, com amor, esperança e bons frutose que futuramente possamos ter uma geração de valores.

Antonio Damião Oliveira da Silva

3 COMENTÁRIOS

  1. Deus não existe. É apenas uma invenção de homens das cavernas. Vamos evoluir, acreditar na ciência, na filosofia, isso que importa. E vejo os jovens de hoje muito mais evoluídos e menos propensos a acreditarem nessa fantasia de que existe um ser invisível a nos controlar.

  2. Até parece que de 2000 para baixo só tinha santos neste mundo, ninguém bebia, ninguém fumava, ninguém se prostituía, traía os cônjuges, roubava, matava, estuprava. Drogas, alcoolismo, prostituição, vadiagem, etc, etc, sempre existiram, a diferença é que hoje tem a mídia para sabermos o que se passa nos 4 cantos do mundo.

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