Após criar Museu do Gonzagão aos 10 anos, jovem ceareanse ganha questão no Enem 2021

por Antonio Carlos Miranda // 22 de novembro de 2021 às 22:00

Pedro, à época da criação do museu e em foto recente/colaboração: Jornalista Ney Vital

Ele tem apenas 16 anos, mas já pode ser considerado um gigante da cultura do Nordeste, sua região. O jovem Pedro Lucas Feitosa transformou-se em motivo de orgulho para sua família e sua gente no pacato Distrito Dom Quintino, Zona Rural do Crato (CE). Tudo começou quando Pedro era ainda um garotinho de 10 anos. Nessa idade, qualquer moleque só pensa em se divertir com os amiguinhos. Pedro, não. Ele sonhava com algo que nem os adultos pensariam: criou o Museu do Rei do Baião Luiz Gonzaga. No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano, o jovem virou até questão de Ciências Humanas pela sua proeza quase inacreditável.

A ideia surgiu em 2013, quando Pedro tinha 8 anos, após uma visita dele ao Museu de Gonzagão em Exu (PE), Sertão do Araripe. A exemplo do local destinado à história do Velho Lua em sua terra-natal, ele pretendia homenagear o rei. O espaço criado pelo garoto, onde ficava a casa de sua bisavó (já falecida) localiza-se em Dom Quintino e já ganhou até visibilidade internacional.

Em 2016, uma produção independente de brasileiros e britânicos, intitulada ‘O menino que fez um museu’ (direção de Sérgio Utsh) foi premiada em Londres pela Foreign Press Association (FPA) – associação de correspondentes estrangeiros mais antiga do mundo, criada em 1888. Esse documentário, segundo o diretor, foi o único produzido fora do eixo Estados Unidos-Europa entre os finalistas. De lá para cá, a vida de Pedro deu um giro de 360 graus.

O jovem já virou tema de várias reportagens em nível nacional, a exemplo do programa de Rodrigo Faro, da TV Record, e ganhou outros prêmios internacionais. Agora, estampou uma questão do Enem. A este Blog, Pedro se disse num misto de alegria e surpresa, após seus amigos de escola comentarem sobre a questão. “Uma amiga minha, Vitória, me ligou de Sergipe dizendo que tinha visto a questão no Enem”, afirmou.

Rotina

Pedro não esconde a satisfação pelo reconhecimento nacional e internacional, mas não se sente famoso. “Isso é motivo de muita alegria não só para mim, mas para o povo de Dom Quintino e para o povo do Crato. A gente já está com esse trabalho há 8 anos. Ter um reconhecimento internacional e nacional, com a prova do Enem, é muito importante para todos. Às vezes essas pequenas coisas são para fortalecer o nosso ideal, o nosso projeto, porque trabalhar com cultura não é fácil, principalmente agora, na pandemia”, ponderou.

À época da criação do museu, Pedro ouvia do seu pai e de Maria Fátima, uma poetisa do distrito, que não era normal um menino de tão tenra idade ser apaixonado “por coisas velhas e músicas antigas”. “Eu acho que era meio doido naquela época, e ainda sou”, disse, sorrindo. Essa “loucura” felizmente deu frutos. Pedro lembra ter recebido muito apoio, o que fez seu projeto ir à frente. “A gente pretende cada vez mais crescer e divulgar a cultura nordestina”, frisou.

Pedro se divide, no momento, entre o 2º ano de produção de audiovisual no curso profissionalizante da Escola Maria Violeta Arraes, no Crato, e a administração do museu. Quando estudava em Dom Quintino, ele ia para a escola pela manhã, enquanto à tarde ficava no museu. Agora, ele organiza as visitas – que são sempre agendadas – aos finais de semana e por rodízio de turmas (ainda por conta da pandemia). A partir do próximo final de semana os interessados em conhecer o espaço já podem agendar visitas pelo contato (88) 9 8109-4226.

Após criar Museu do Gonzagão aos 10 anos, jovem ceareanse ganha questão no Enem 2021

  1. Estou encantada com a proeza desse MENINO GIGANTE.
    Parabéns.

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