Aluísio Gomes: Da vida dura na roça à educação que o fez alcançar o sucesso

2

Um homem simples, com raízes na zona rural dos Sertões do Araripe e do São Francisco, e que deixou a roça por entender que a educação era o único caminho para transformar sua vida. Esse é o publicitário e professor Aluísio Gomes, que contou um pouco dessa sua trajetória no Talk Show do Blog.

Nada para Aluísio caiu do céu. A vida dura no sequeiro lhe impôs restrições. Para se ter uma ideia, até os 18 anos tinha apenas o primário, sendo alfabetizado pela própria mãe, que era professora da rede municipal de Petrolina. Nessa época, decidiu sair de casa, no sítio da família em Dormentes, para investir no seu sonho. O irmão de Aluísio saiu um pouco antes. Em seguida veio ele. Isso a contragosto do velho pai, que queria os filhos o ajudando nas atividades da roça.

Em Petrolina, Aluísio queria estender os estudos e ser radialista. Mas entre uma coisa e outra, ‘ralou’ muito. Depois de concluir o ensino médio no Colégio Dom Bosco, chegou  a vender pipocas numa bicicleta e tentou também ganhar a vida de fotógrafo. O sonho de chegar à rádio, no entanto, nunca se apagou. Aluísio lembra que sua primeira experiência em falar ao microfone, em público, foi na Igreja Catedral (ainda na época do Dom Bosco). “Minha mãe sonhava com um filho padre”, contou.

Essa, porém, foi a única vocação que Aluísio não demonstrou. Fanático pela Rádio Globo (RJ), sua fonte de inspiração há muito tempo, juntamente com a Emissora Rural, ele começou a concretizar o sonho de ser um grande comunicador. Na Emissora, depois de muito insistir, trabalhou por três meses de graça, até fazer um teste com Daniel Campos e Winston Monteclaro – que também estavam no começo de suas carreiras. Dos três, ele foi o aprovado. “Ganhei meu primeiro salário somente aos 19 anos”, afirmou.

Caminho de sucesso

A partir de então, Aluísio diz que as coisas começaram a acontecer “quase como um milagre”. Paralelo à comunicação radiofônica, fez um curso de Letras/Inglês por entender que melhoraria sua pronúncia – além da capacidade de raciocínio e improvisação. Pouco tempo depois, especializou-se ao fazer um pós-graduação em Iniciação à Docência do Ensino Superior. Quando estava no auge de sua profissão de radialista, comandando uma numerosa equipe no Sistema Grande Rio, sair da área para montar a empresa de publicidade Eldorado, em 1986.

Após ser frequentemente convidado para palestras na Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (Facape), ele decidiu se inscrever num concurso da instituição, em 2002. Mas percebeu que para ser um bom acadêmico, não bastava apenas ingressar na Facape. Foi quando partiu para mais uma especialização: Educação Ambiental e Sustentabilidade. “A Agenda 21, que são os compromissos que a ONU tem com o desenvolvimento sustentável no mundo inteiro, teve nossa colaboração em Petrolina”, observou.

Inquieto, Aluísio frisa que chamou a atenção o fato de a Lei de Educação Ambiental – além do artigo 225 da Constituição – determinar que o conhecimento nessa área tem de ser levado desde a infância até o nível superior de ensino. No entanto, isso ainda é desrespeitado no país. Por este motivo, decidiu mais uma vez encarar desafios. Em 2010, partiu para um Doutorado em Educação na Faculdade de Filosofia e Letras de Cruz Mendoza (Argentina), considerada a melhor instituição da área na América do Sul. Depois de oito anos, ele foi o único aprovado, com distinção, Doutor em educação ambiental e sustentabilidade.

Aluísio acredita que sua trajetória, de alguma forma, ajuda a inspirar muitos jovens de hoje, uma vez que diante de tantas notícias ruins, muitos podem perder um pouco a esperança e o estímulo. O próximo passo, segundo ele, é se tornar um cientista. “Quando eu tinha 17 anos, eu dizia que, neste país, para se dar bem na vida, é preciso estudar e trabalhar; e na maturidade, trabalhar e estudar. Por isso continuo estimulado a fazer coisas novas para envelhecer com qualidade”, pondera.

2 COMENTÁRIOS

  1. O que Petrolina precisa fazer é facilitar o ambiente para incentivar o petrolonense , e quem aqui chega para morar, a empreender, ter o o seu próprio negócio e empregar. Por isso a Prefeitura, junto com a nossa força política, tem que cobrar a implantação do Armazém da Criatividade, da Escola Técnica Estadual, do Centro Tecnológico, da Faculdade do SENAC, agregado em um mesmo local. Posteriormente poderia para lá transferir outros órgãos e empresas públicas geradoras de conhecimento, tudo em mesmo complexo, a exemplo da Facape, UPE, IF SERTÃO, IPA, Codevasf, Embrapa, Incubavasf…e etc.

  2. Linda história de vida . Aluísio é muito inteligente , criativo , trabalhador … amigo , sempre de bom humor . Ama seus filhos , dois moram com ele , são ” figurinhas ” amadas e muito queridas .

DEIXE UMA RESPOSTA

Comentar
Seu nome