Agricultores familiares de Petrolina preocupados com prejuízos durante pandemia e Sintraf solicita apoio de órgão competentes

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Foto: Divulgação/ Ascom

A agricultura familiar é outro setor econômico que vem enfrentado momentos difíceis durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Em Petrolina, o problema tem prejudicado a demanda interna por frutas e a logística de abastecimento dos perímetros irrigados. 

Quando os efeitos da pandemia levaram ao fechamento do comércio no mês passado, o agricultor Clédes Gomes Bezerra, de 40 anos, preparava-se para a colheita de coco e acerola numa área de 5 hectares. Em vez disso, guardou as ferramentas agrícolas por escassez de mão-de-obra e agora tenta evitar o apodrecimento das frutas, realizando doações. “Minha família está tendo 100% de perda [de produção] e, infelizmente, não tenho como enviar essas frutas para órgãos e instituições, uma vez que elas têm um custo elevado de colheita. Neste momento estamos impossibilitados até de colher. Caso alguma instituição tenha interesse nelas, eu as deixo disponibilizadas, tendo apenas que fazer o acerto com os catadores”, disse. Clédes possui 1.000 pés de acerola e 700 coqueiros, carregados.

Diante da situação, no último dia 30 de março o Sindicato dos Agricultores Familiares de Petrolina (Sintraf) apresentou um ofício com diversas propostas e solicitando medidas para o enfrentamento da Covid-19 à prefeitura municipal, 3ª Superintendência Regional (SR) da Codevasf e ao Distrito de Irrigação Nilo Coelho (DINC), mas ainda não obteve um posicionamento. “Estamos tentando dialogar com essas instituições a compra das frutas, a diminuição da taxa fixa de água e a criação de um comitê de crise para o gerenciamento da epidemia”, relata Isália Damacena, presidente da entidade.

Do Bebedouro ao Projeto Maria Tereza, os prejuízos com as restrições necessárias para conter a disseminação do Covid-19 deixaram um rastro de safras perdidas, ausência de centenas de agricultores no campo, uma nova queda no preço das frutas, que pode chegar até 40% dependendo da cultura, e o medo de que a crise se prolongue por mais tempo. “Com a pandemia, nossa situação ficou muito difícil. Eu e meu esposo tivemos um prejuízo de R$ 30 mil porque não tínhamos como colher nossa produção e mesmo que conseguíssemos, não teria para quem vender. Todo nosso trabalho e investimento foram perdidos; mas é isso, né, seguir de cabeça erguida esperando que esse vírus passe logo”, finaliza a agricultora Antônia Úrsula Silva, de 28 anos.

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