A descoberta da terceira maior espécie de dinossauro já encontrada no Brasil foi liderada por um pesquisador da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). O estudo alcançou um marco importante em março, com a descrição oficial da espécie no periódico científico Journal of Systematic Palaeontology. Batizado de Dasosaurus tocantinensis, o dinossauro dá origem a um novo gênero e uma nova espécie no país.
A pesquisa foi liderada pelo professor Elver Mayer, do Colegiado de Geologia da Univasf. Os fósseis foram encontrados em 2021, no município de Davinópolis, no sudoeste do Maranhão, durante a construção de um terminal ferroviário. Após três anos de estudos, os pesquisadores identificaram que o animal viveu há cerca de 100 milhões de anos e pertence ao grupo dos saurópodes, conhecidos pelo pescoço longo, cabeça pequena e alimentação herbívora. Dentro dessa classificação, ele faz parte dos titanossauriformes, grupo próximo aos titanossauros, mas com características próprias. “A importância da publicação é que ela é um marco na descrição formal da espécie. Adiciona uma nova espécie de dinossauro para o conhecimento que a gente tem no Brasil”, destacou o professor Elver Mayer.
O nome da espécie faz referência à região onde foi encontrada. Tocantinensis remete ao Tocantins, enquanto “Dasos”, do grego, significa “floresta”, em alusão ao ambiente florestal do Maranhão e à vegetação amazônica da área. Além da identificação da nova espécie, o estudo também revelou conexões evolutivas importantes. Os pesquisadores encontraram parentesco entre o dinossauro brasileiro e a espécie Garumbatitan morellensis, descrita na Espanha em 2023. A análise indica que esses animais podem ter se dispersado entre Europa e América do Sul há mais de 120 milhões de anos, por rotas que passavam pelo norte da África, quando os continentes ainda estavam mais próximos.
Segundo Mayer, a descoberta vai além da identificação de um novo animal. “São coisas que a gente vai conseguir responder a partir desse primeiro trabalho”, afirmou, ao destacar que os estudos ajudam a entender como o dinossauro viveu, morreu e teve seus fósseis preservados. Atualmente, os fósseis do Dasosaurus tocantinensis estão no Centro de Pesquisa em História Natural e Arqueologia do Maranhão. O trabalho envolveu a colaboração de 11 instituições públicas brasileiras. Para o pesquisador, o achado reforça a importância do Nordeste brasileiro para a paleontologia. “A importância da descoberta está em trazer não só um novo personagem, mas também o cenário e uma história, uma biografia para ele”, concluiu.


