inquérito sobre a morte dos seguranças de uma fazenda em São Joaquim do Monte, no Agreste pernambucano, durante um confronto com trabalhadores sem-terra ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), deve ser concluído em dois dias.
Segundo o delegado responsável pelo caso, as investigações continuam. Os dois suspeitos do crime, Paulo Alves Cursino, 62 anos, e Aluciano Ferreira dos Santos, 31 anos, foram indiciados por homicídio qualificado por motivo fútil.
Na última sexta-feira (27), foi realizada a missa de sétimo dia das vítimas. A Matriz de São Joaquim do Monte ficou lotada para a missa de sétimo dia dos quatro seguranças. Dezenas de pessoas participaram da cerimônia, inclusive os parentes das vítimas, que estavam nas primeiras cadeiras.
Também na sexta-feira, o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) pediu que os integrantes do movimento deixem a fazenda Jaboticaba, que fica a 11 quilômetros do local do conflito. De acordo com o Incra cerca de 60 agricultores estão acampadas no local.
Os sem-terra concordaram em deixar a área, até que a propriedade seja medida. Os fazendeiros e os integrantes do MST divergem quanto ao tamanho da fazenda que foi alvo do litígio.
Para os proprietários, a área teria de 247 hectares. Mas os sem-terra afirmam que a propriedade tem mais de 800 hectares. A diferença é importante porque o Incra só desapropria terras com mais de 500 hectares.
Entenda o Caso
O crime aconteceu na tarde do dia 21 de fevereiro, quando sem-terras tentaram invadiram pela segunda vez a fazenda Jabuticaba, que havia sido reintegrada dois dias antes. Após o episódio, o dono da fazenda teria contratado quatro homens para fazer a segurança do local.
João Arnaldo da Silva 40 anos, José Wedson da Silva, 26 anos, Rafael Erasmo da Silva, 20 anos, e Wagner Luiz da Silva, 25 anos, foram assassinados por disparos de arma de fogo durante um confronto que se iniciou quando um grupo de sem-terras voltou à fazenda.
O MST afirmou que os trabalhadores agiram em legítima defesa e apresentou fotos dos homens armados. A polícia, agora, trabalha com duas hipóteses: a de agressão e a de execução.
A polícia já prendeu dois suspeitos de terem participado do crime. Os agricultores integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Paulo Alves Cursino, 62 anos, e Aluciano Ferreira dos Santos, 31 anos, foram autuados na delegacia de Bezerros e estão detidos no Presídio de Caruaru.