Requerimentos geram polêmica na Alepe por propor votos de aplausos a Bolsonaro

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Foto: Roberto Soares/ Alepe

Novo bate-boca envolveu deputados da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) que são contra e a favor de dois requerimentos com Votos de Aplausos para o presidente da República, Jair Bolsonaro. Incluídos na Ordem do Dia da Reunião Plenária desta segunda-feira (9), as propostas foram aprovadas pela maioria, mas não antes de um debate acirrado.

De iniciativa do deputado Alberto Feitosa (SD), o Requerimento nº 1603/2019 exalta a Medida Provisória nº 907, que transforma a Embratur de Instituto Brasileiro de Turismo para Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo, além de manter benefícios fiscais para o segmento. Enquanto o Requerimento nº 1613/2019 faz alusão à destinação de 280 viaturas para as guardas municipais de 68 cidades pernambucanas.

As duas proposições receberam pedidos de destaque para que fossem votadas separadamente das demais. A partir daí, o deputado Antônio Moraes (PP) usou a tribuna para questionar os motivos. “Essas instituições estão passando por uma dificuldade grande. Queria entender melhor o porquê de votar contra”, observou. “Não sei qual é a razão de ter um requerimento para isso, a não ser que se tenha uma conotação política de outra dimensão”, criticou Waldemar Borges (PSB), que foi endossado pela deputada Jô Cavalcanti (PSOL).

Além deles, votaram contra as propostas os deputados Dulcicleide Amorim (PT), Teresa Leitão (PT), João Paulo (PCdoB), José Queiroz (PDT), Simone Santana (PSB), Fabíola Cabral (PP), Isaltino Nascimento (PSB), Sivaldo Albino (PSB) e Professor Paulo Dutra (PSB). A deputada Delegada Gleide Ângelo (PSB), que votou contra o Requerimento 1.603, não estava presente na votação do 1.613. Já Roberta Arraes (PSB) votou contra o primeiro e a favor do segundo.

Não gostou

Concluídas as votações, Teresa Leitão voltou a manifestar sua opinião contrária a mudança no perfil da Embratur de autarquia pública para pessoa jurídica de direito privado. Citando nominalmente o deputado Joel da Harpa (PP), criticou os colegas que comemoraram a aprovação do requerimento fazendo o gesto de uma arma, símbolo da campanha de Bolsonaro.

Não sei o que tem de bonito e engraçado em louvar um presidente da República que faz do ódio, do armamento, do assassinato, do feminicídio, do genocídio de índios e negros coisas de menos importância. Esta Casa está contaminada pela polarização que existe na sociedade. Eu nunca vi semelhante disputa ideológica como a que se está querendo colocar agora”, queixou-se.

Joel da Harpa disse em resposta que a petista, que é 3ª secretária do Legislativo Estadual, “excedeu o limite de representatividade na Mesa Diretora”. “Respeito as posições ideológicas da deputada, e é preciso que ela tenha respeito às pessoas que pensam diferente dela. O que falo ou o sinal que faço é um direito meu, como representante do povo de Pernambuco”, replicou.

Trocas de acusações

Na sequência, a petista pediu a palavra e afirmou ter sido ameaçada pelo parlamentar “fora do microfone e nele”. “Em momento nenhum eu ameacei a deputada, nem na tribuna nem fora dela. Essa palavra (ameaça) é muito forte. Ela precisa deixar claro que tipo de ameaça foi essa”, retrucou Joel.

Vendo o bate boca, o deputado Alberto Feitosa afirmou que não estava buscando promover uma discussão política e ideológica por meio dos requerimentos. “Qual o problema de se indicar votos de aplauso para ações administrativas de Governo?”, questionou. “Há uma visão de patrulhamento. Cada um homenageia quem gosta, quem admira”, complementou.

Para ele, a mudança na gestão da Embratur aumentará a possibilidade de obter recursos para além do Orçamento público. Já a destinação de viaturas às guardas municipais beneficiará, sobretudo, as prefeituras mais carentes.

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