Prejuízos na produção de frutas de Petrolina atingem R$ 60 milhões

por Carlos Britto // 14 de janeiro de 2022 às 18:43

Foto: CLAS Comunicação/divulgação

As recentes chuvas ocorridas em Petrolina já trouxeram prejuízos na ordem de R$ 60 milhões, com a perda de 30 mil toneladas de uva e manga, para os mais de 2 mil produtores de frutas do município. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (14) pelo Sindicato dos Produtores Rurais (SPR).

A situação, que se agravou com as precipitações no último dia 25 de dezembro, que atingiram até 300 mm em algumas localidades da zona rural, encharcou os pomares, aumentou as doenças (a exemplo do míldio) e vem comprometendo a produção das frutas nas etapas de poda, colheita e floração. No caso da uva – fruta mais sensível às condições climáticas -, o excesso de água gera quebra de produção, atraso de colheitas e, consequentemente, falta de produto no mercado.

Segundo estimativas do SPR, os prejuízos com a uva já passam de R$ 33 milhões com a perda de 20 mil toneladas da fruta. Na cultura da manga, os produtores contabilizam prejuízos da ordem de R$ 27 milhões com a perda de 10 mil toneladas.

Ainda em consequência das chuvas registradas na região do Vale do São Francisco, algumas fazendas produtoras emitiram comunicados ao mercado, alertando inclusive que as precipitações podem perdurar por alguns meses, uma vez que a previsão climática atual aponta que os próximos quatro meses (estação chuvosa do Vale) terão chuvas acima da média, prejudicando as colheitas e floradas futuras.

A fazenda Agrivale, por exemplo, informou que tem feito o possível para minimizar as consequências, como investimentos em proteção e readequação da capacidade de produção e que segue empenhada em atender os clientes. A produtora reitera o compromisso de manter relação respeitosa e sustentável com parceiros e fornecedores.

Outra fazenda, a Labrunier, também emitiu um comunicado ao mercado informando que, mediante as circunstâncias, a equipe tem reprogramado constantemente as colheitas para atendimento de exportação e mercado interno, readequando os volumes de entrega de acordo com a capacidade de produção e colheita das unidades produtivas do grupo.

Consequências

Segundo o gerente executivo do SPR, Flávio Diniz, “além dos prejuízos com as chuvas os produtores enfrentam ainda o aumento de despesas efetivas com insumos agrícolas, acondicionamento, comercialização, transporte, aduanas e folha de pessoal, comprometendo a produção do primeiro semestre desse ano e influenciando negativamente os resultados do setor agrícola do Vale do São Francisco em 2022“, alertou. O Vale do São Francisco, mais especificamente Petrolina, Juazeiro e Casa Nova (ambas na Bahia), é o terceiro maior produtor de frutas do mundo, com 43,8 milhões de toneladas por ano. As culturas de manga e uva são responsáveis respectivamente por 96% e 99,9% das exportações de frutas brasileiras.

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