Prefeitos governando no escuro

por Carlos Britto // 25 de janeiro de 2009 às 16:39

Incerteza tem sido a palavra mais usada nos discursos dos prefeitos pernambucanos quando o assunto é crise financeira internacional. A maioria está tomando medidas no escuro. Têm consciência de que vão precisar de forças para enfrentar um mar agitado, mas não sabem exatamente o tamanho das ondas que vêm por aí. Pode ser só uma “marolinha”, como definiu o presidente Lula, ou pode ser um verdadeiro tsunami, como vêm alertando especialistas e, principalmente, oposicionistas ao governo federal.
Em algumas cidades, os reflexos da crise começam a amedrontar os gestores. Júlio Lóssio (PMDB), prefeito de Petrolina, Sertão do São Francisco, procurou o governador Eduardo Campos (PSB) na última semana a fim de pedir socorro ao governo estadual para tentar conter os efeitos que a redução das exportações de frutas têm provocado na região. De acordo com ele, 40 mil pessoas ficarão sem trabalho durante a entressafra.

O peemedebista afirmou que ainda não épossível determinar exatamente qual será o impacto da queda das exportações, causada pela crise, e do período de entressafra, mas afirma que as consequencias já podem ser sentidas na arrecadação de ISS e IPTU do município.
Para se prevenir contra situações semelhantes, o prefeito do Recife, João da Costa (PT), já criou até um comitê especial para gerenciar as despesas da Prefeitura. Os secretários estão dando um freio nas licitações, e cerca de R$ 400 milhões em contratos para custeio da máquina estão sendo revisados. As despesas com combustível, manutenção e locação de veículos, por exemplo, devem ser reduzidas em 25%.
Em Jaboatão dos Guararapes, a palavra de ordem é “cautela”. Segundo o secretário de Gestão da Receita do município, Joel José Silva, a própria situação da Prefeitura exige cortes. O prefeito Elias Gomes tem que administrar duas crises, a interna, fruto da herança das administrações anteriores, e a internacional. Mais de 1,2 mil cargos comissionados foram cortados. Em Paulista, também na RMR,o prefeito Yves Ribeiro concentra esforços para evitar demissões. Cortes, só nos gastos com a máquina pública. O secretário de Administração, José Ricardo Rocha, conta que a Prefeitura está economizando em torno de 25% com a máquina. “Procuramos ser otimistas, mas estamos nos prevenindo para enfrentar uma crise da qual não sabemos o tamanho”.

Fonte: Diário de Pernambuco

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