Pequeno produtor do Vale do Rio São Francisco acha saída para superar a crise

por Carlos Britto // 15 de fevereiro de 2009 às 08:47

Se as exportações de uvas caíram drasticamente por conta da crise financeira mundial, pequenos agricultores do Vale do Rio São Francisco encontraram no Comércio Justo da Manga uma saída para a manutenção do mercado consumidor internacional e até seu crescimento. Os produtores de vinho na região também não amargaram retrocesso. Pelo contrário, aproveitam o mercado interno brasileiro para aumentar as vendas. Um grupo de 80 produtores se uniu na Associação Manga Brasil e conseguiu através de produtos especializados garantir um mercado seguro, com preço fixo, sem variação, independente das oscilações do mercado. Com o selo Fair Trade de Comércio Justo, eles conseguiram dobrar as exportações no ano passado, em relação a 2007.

O Fair Trade é um selo concedido pelo mercado europeu para os produtos oriundos de pequenas propriedades. Na Europa, existe um público específico do consumo consciente que não se incomoda em pagar mais caro por tais produtos. Em 2008, a Manga Brasil chegou a 220 toneladas de mangas exportadas, ao preço de R$ 0,72 o quilo. O resultado anual foi de aproximadamente R$ 160 mil. Fora isso, ainda contam com participação no mercado interno. Há dois anos, a associação recebeu do governo federal um armazém para seleção e embalagem dos frutos, no valor de R$ 500 mil. Depois do ano promissor, a expectativa é dobrar a receita em 2009.

“O Fair Trade garante valor fixo de R$ 0,72 por quilo da manga. No início da safra a gente perde, pois o mercado interno paga R$ 1,10, mas no final da safra o preço cai para R$ 0,20 e a gente sai no lucro”, explica o gerente executivo da Manga Brasil, Marcelo Paranhos. “Os contratos nos deram segurança”, garante. Assim produtores como Antonio Nogueira garantem o sustento da família. “Não dá para enriquecer, mas dá para viver”, disse, fazendo segredo sobre seu faturamento.

Vinhos – Por servir basicamente ao mercado interno brasileiro – principalmente o pernambucano e o baiano -, o setor de vitivinicultura se safou dos efeitos da crise e inclusive registrou crescimento, de acordo com o secretário de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente de Juazeiro, Jairton Fraga. O secretário, no entanto, não dispõe de dados estatísticos, assim como a União Brasileira de Vitivinicultura.
No total, são sete empresas que produzem vinhos nas margens do São Francisco. As empresas Fazenda Ouro Verde e Vale do São Francisco, responsáveis pelas marcas Terra Nova e Botticelli, respectivamente, investiram em adaptações físicas para abrir as portas da produção para a visitação de turistas. “A intenção é divulgar a produção de vinho em pleno semiárido, nas margens do rio”, disse o gerente da Ouro Verde, Roque Meneguzzo. Ele assegura que o investimento foi possível graças ao crescimento de 25% registrado em 2008, comparado com o ano anterior.

Pequeno produtor do Vale do Rio São Francisco acha saída para superar a crise

  1. Na tampa disse:

    Tudo é válido para melhorar o comercio da manga, mesmo que por pouco tempo. Na verdade ninguém consegue neutralizar a ação da oferta e procura na formação dos preços. Estes grupos de consumidores existem, mais como manifestação romântica do que como formação de um grande mercado para ajudar os pequenos. Se a pressão da oferta com preços baixos insiste, o sentimento humanitário passa a proteger o bolso de cada um deles e os participantes fogem do grupo, principalmente em momento de crise. Este mercado é muito limitado e não resolve o problema da região. Dentre os próprios pequenos produtores envolvidos no sistema há momentos em que funciona e noutro não.

  2. Tontonho disse:

    O comentarista anterior tem toda razao, a comercializaçao proposta Fair Trade é muito limitada e em tempo algum poderiamos comparar com os volumes produzidos e comercializados no Vale do Sao Francisco, uma verdadeira ilusao para os nossos anseios e necessidades…
    Que existe nos sabemos… Talvez na proporçao de venda de 1kg de fruta nessa condiçao para cada 100 Ton na modalidade comum!
    Esta ainda nao seria uma soluçao para os empregos e investimentos que nós precisamos!

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