Maria Elena não esconde frustração, mas fala em continuar marchando com o grupo de FBC

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Após anunciar oficialmente nesta quinta-feira (24), na Casa Plínio Amorim, que está se retirando da disputa por uma vaga à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), a vereadora Maria Elena (PRTB) tentou mostrar um semblante de serenidade com a decisão tomada. Mas na justificativa que concedeu à imprensa, momentos após seu discurso em plenário – quando foi aplaudida de pé pelos demais colegas, familiares e correligionários que a apoiaram desde o início – Elena não conseguiu disfarçar uma certa frustração com o grupo político liderado pelo senador Fernando Bezerra (MDB), do qual ela ainda faz parte.

Mesmo agradecendo a confiança depositada por FBC, pelo deputado federal Fernando Filho (DEM) e pelo prefeito de Petrolina Miguel Coelho (PSB), a vereadora explicou que “o cenário de incerteza” em relação às eleições deste ano não permitiu que ela apostasse no seu antigo sonho. Segundo a vereadora, as forças políticas de Petrolina, em outras épocas, conseguiam emplacar pelo menos dois deputados, o que para ela não será uma missão fácil nas eleições deste ano.

A realidade, agora, é que temos muitas forças políticas, e a gente não sabe como o eleitor vai reagir às urnas. Vamos ter, digamos, uns 160 mil votos válidos, e com as abstenções deve baixar. Como esse bolo será rateado, com tantos nomes? Então, eu não posso submeter minha família, meus amigos, a uma aventura política”, declarou.

Em outras palavras, Elena esperava um apoio mais efetivo do senador, uma vez que na lista de pré-candidatos a estadual apoiados pelo emedebista também estão Gustavo Caribé (ex-prefeito de Belém do São Francisco), Jetro Gomes (ex-prefeito de Santa Maria) e Antônio Coelho (DEM), filho mais novo de FBC. Este último, por razões óbvias, tem todas as atenções do senador. A vereadora disse que estava ciente disso e que “o combinado estava sendo tratado” com ela. Porém, fez algumas ressalvas.

Segundo Elena, os desafios para obter o mínimo de 30 mil votos necessários à sua eleição, sem um apoio substancial, seriam muito grandes. Aliado a esse fator, ela acredita ter sido lançada “com muito atraso” em relação a outros pré-candidatos que estão correndo trecho há mais tempo que ela.

A vereadora chegou a utilizar a expressão “candidato da Casa Grande” para Antônio Coelho (numa alusão à obra mais conhecida do escritor Gilberto Freyre, Casa Grande e Senzala), mas descartou ter se referido à escolha de Antônio como um ato de ‘coronelismo’ da parte do senador. “Quis me referir ao fato dele ser o irmão do prefeito, o irmão do deputado. É claro que eu não teria o mesmo apoio, mas não me sinto nem um pouco diminuída. Eu aceitei as regras do jogo e só não vou seguir porque não consegui viabilizar as condições para ter os 30 mil votos que preciso”, justificou.

Futuro

Valorizando sua coerência e lealdade política, Elena disse que marchará com o grupo do senador na campanha que se aproxima. Mas admitiu que vai tentar convencer os insatisfeitos entre sua família e correligionários que a apoiavam. “Não sou mulher de meias palavras nem de dobrar a esquina. Vamos caminhar juntos. Agora, o que puder fazer para trazer meu grupo, de forma coesa, eu farei. A gente vai tentar quebrar as arestas. A campanha vai chegar e as pessoas vão se motivar”, ponderou.

Quanto ao futuro, a vereadora disse que seu projeto não acabou, foi somente adiado. “Vem aí 2020, depois 2022”, afirmou. Mas sinalizou com uma possível “nova postura” a partir de agora. “Meu grupo está me cobrando mais. Eles querem mais independência, querem me ver mais autônoma. E nesse ponto eu sou primeiro eles, segundo eles e depois os outros”, finalizou.

12 COMENTÁRIOS

  1. Minha amiga, ” se não puderes ser o capitão, seja um soldado, mas seja o melhor possível…” esse é um princípio um tanto conformista, mas é a verdade, enquanto você aí estiver, só será soldado.

    • Elegeram Miguel, não vão eleger o caçula? Esse Antonio aí já está eleito, depois fica aí a papagaiada dos caminhoneiros bloqueando estradas por causa do elevado preço dos combustíveis. O brasileiro vive na lama e é por sua própria culpa.

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