Mapa político de Pernambuco atesta hegemonia das famílias

por Carlos Britto // 15 de janeiro de 2017 às 09:15

O mapa político pernambucano, desenhado nas últimas eleições, atestou a hegemonia de famílias tradicionais no poder. E este retrato traduz um fenômeno histórico, e recorrente, que se perpetua ao longo das gerações. No último dia 1º, tomaram posse 61 prefeitos (veja a lista aqui) com sobrenomes influentes ou parentesco com lideranças da política estadual. Um poder que nos próximos quatro anos irá dominar receitas municipais que vão desde os R$ 23.410.625,40 de Brejão, comandada por um herdeiro da família Cadengue (Beto Cadengue), até os R$ 1.162.240.000 de Jaboatão dos Guararapes, sob liderança de um dos rebentos da família Ferreira (Anderson Ferreira).

A ascensão dos representantes desses grupos não é mero acaso. Seu poder é proveniente de uma estrutura que cria raízes nos municípios e se espalha por outras esferas, elegendo seus integrantes no Executivo e Legislativo. Dessa forma, eles criam uma verdadeira rede para manter sua força e influência nos redutos eleitorais. São sobrenomes que se repetem por décadas no comando das mesmas cidades, se espalham por mais de um município, chegam aos parlamentos e são transferidos de pai para filhos, esposas, irmãos, sobrinhos e primos.

Os Coelhos – Quatro gerações de poder

Um legado que ultrapassou quatro gerações está hoje nas mãos do senador Fernando Bezerra Coelho (PSB) e dos seus filhos Miguel Coelho (prefeito eleito de Petrolina) e Fernando Filho (ministro das Minas e Energia). Os três representam, atualmente, a maior força política do Sertão pernambucano. A força política deste grupo familiar se iniciou com Clementino Coelho, conhecido como Coronel Quelê, e Dona Josepha, que tiveram tiveram seus 11 filhos e mal sabiam que sua liderança política na Região do São Francisco iria se espalhar da República Velha por mais três gerações de poder. A força da família e sua influência na região criaram um núcleo que se estende até hoje na política pernambucana. Nos tempos de Quelê, os Coelhos comandavam um forte capital com hotéis, construtoras, indústrias e alimentos. Um império que ajudou a construir a carreira dos seus herdeiros e está de pé até hoje. Sua hegemonia na política local só foi ameaçada por uma liderança, João Barracão, que foi prefeito do município em 1947 a 1951, desafiando a dinastia familiar.

Com a morte de Clementino Coelho aos 67 anos, coube a Dona Josepha ser a mentora da família Coelho. A senhora de origem humilde acabou virando a maior referência política do São Francisco. Presidentes, governadores e autoridades que visitassem a região tinham como parada obrigatória a casa de dona Josepha. Sua liderança foi o esteio da carreira política de seus filhos Nilo Coelho, Gercino Coelho, Osvaldo Coelho, José Coelho e Geraldo Coelho. Todos foram para a política, mas tinham em Dona Josepha o norte das suas carreiras.

Campos/Arraes – Um legado em disputa

Da figura quase mítica e cultuada por populares de Miguel Arraes de Alencar até o estilo moderno e ambicioso de Eduardo Campos, a nova geração das famílias Campos/Arraes tentam levar adiante um legado que é alvo, hoje, de uma disputa entre os Campos – aliados da nova geração do PSB – e os Arraes, mais ligados aos líderes antigos da sigla. Resquícios de perdas que ocorreram cedo demais, principalmente, a de Eduardo, morto em um acidente aéreo em 2014.

A história do grupo começa na saga de Arraes do Sertão do Ceará até Pernambuco. Arraes foi trazido para a política por Barbosa Lima Sobrinho, que o convidou para ser seu secretário da Fazenda. Foi eleito pela primeira vez em 1962, em uma disputa acirrada e fortemente ideológica. Com a ditadura militar, foi exilado na Argélia e somente retornou em 1979, com a anistia. Na volta, disputou mais três vezes o Governo do Estado, saindo vitorioso em duas delas (1986 e 1994). A derrota mais amarga foi em 1998 para o arqui-inimigo na época, Jarbas Vasconcelos.

Foi na volta de Arraes que a liderança do seu neto Eduardo cresceu. E foi ganhando, a cada ano, mais espaço dentro do partido. Foi deputado estadual, secretário da Fazenda e deputado federal. A divisão ocorreu quando ambos resolveram disputar em 2002 uma vaga para federal.

Com a morte de Eduardo foi iniciada a divisão, que tem de um lado a viúva Renata Campos e de outro o irmão do ex-governador, o advogado Antônio Campos. No meio dessa disputa, uma incógnita: a ministra do TCU, Ana Arraes. Sua volta é incentivada por parte do partido para resgatar a força dos históricos do PSB diante da nova geração, mas a ex-deputada permanece em sigilo, observando de longe a disputa que atinge o seio familiar.

Família Lyra – O legado nas mãos de Raquel

Após duas gerações formadas exclusivamente por homens, o legado da família Lyra repousa nas mãos da primeira mulher eleita prefeita de Caruaru, Raquel Lyra. Única representante da terceira geração do grupo, ela é a aposta para o futuro da família que começou a construir sua história em Caruaru pelo mascate e caminhoneiro João Lyra Filho, que, em meio às viagens, estacionou seu veículo na cidade e nela começou a desenhar seu futuro político. De vendedor de automóveis, ele se tornou empresário do ramo de ônibus intermunicipais e prefeito de Caruaru por duas vezes, em 1959 e 1972.

Seus dois filhos, João Lyra Neto e Fernando Lyra, seguiram os passos do pai na política, mas com rumos diferentes. Lyra Neto fincou seus pés em Caruaru, enquanto Fernando tinha como palco Brasília. O primeiro participou do movimento estudantil, se dedicou aos negócios da família e eleito prefeito de Caruaru por dois mandatos em 1988 e 1997. Já Fernando Lyra foi deputado federal por oito mandatos consecutivos. Foi também um dos articuladores da eleição de Tancredo Neves e ministro da Justiça no Governo Sarney. A atual prefeita Raquel Lyra foi a única herdeira a continuar na política. (fonte: Folha de PE)

Mapa político de Pernambuco atesta hegemonia das famílias

  1. Cego às avessas disse:

    O mapa do ridículo isso sim. O nome disso é oligarquismo, coronelismo moderno, o atraso do nordeste é por conta da mente atrasada e colonialista das pessoas que aqui vivem, que contribuem com seus votos para a sobrevivência e predominância dessas bizarrices nos 9 estados. Esse pessoal enriqueceu graças a política, e vão passando o poder de pai para filho, beneficiando com cargos públicos amigos próximos e parentes; Negociando cargos públicos e benefícios políticos em troca de votos e apoio nos pleitos eleitorais; Implantando políticas assistencialistas para manter o eleitorado (para não dizer gado) e perpetuar-se no poder. O título da matéria deveria ser: “Mapa político de PE atesta a causa do atraso em que vive o estado: Coronelismo, oligarquismo, agigantamento e assistencialismo estatal”

    1. ops disse:

      perfeitas suas colocacoes

      vivemos uma epoca que esse apadrinhamento politico ou heranca politica nao deveria existir

      ta mais que na hora de brasileiro deixar de ser otario

Deixe um comentário para ops Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Últimos Comentários