Lucinha Mota afirma que Casa Plínio Amorim “abre espaço para criminoso”, mas Osório Siqueira rebate: “Ela teve o mesmo espaço”

10
Foto: Blog do Carlos Britto

A ida do advogado Wank Medrado à Casa Plínio Amorim, na sessão plenária desta terça-feira (8), transformou-se em alvo de mais um protesto da família da menina Beatriz Angélica Mota. Mãe de Beatriz, Lucinha Mota criticou duramente o Legislativo do Petrolina, que na opinião dela “abre espaço para criminoso”.

O comentário refere-se ao ex-funcionário terceirizado do Colégio Maria Auxiliadora, Alinsson Henrique Carvalho. Ele foi acusado de ter apagado as imagens na noite de 10 de dezembro de 2015, quando Beatriz (então com 7 anos) foi barbaramente assassinada durante uma festa de formatura na tradicional instituição de ensino, onde a menina estudava. Wank Medrado é o advogado de defesa de Alinsson e conseguiu revogar em setembro deste ano, junto ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), uma decisão do próprio órgão judiciário.

Num primeiro julgamento, a prisão de Allinson foi acatada por dois votos contra um. Já no segundo, por sete votos a três, os desembargadores consideraram não haver provas suficientes contra o ex-funcionário do colégio. Por este motivo, a Câmara de Petrolina abriu espaço para a participação de Wank explicar o processo. A proposição partiu do vereador e 1º vice-presidente da Mesa Diretora, Ronaldo Cancão (PTB), e da vereadora Cristina Costa (PT).

Enquanto Wank e os familiares de Allinson participavam da sessão, do lado de fora da Câmara Municipal Lucinha – acompanhada de alguns parentes e amigos da família de Beatriz – soltava o verbo. Ela chegou, inclusive, a bater boca com uma familiar do ex-funcionário. “Essa câmara não me representa”, desabafou. À imprensa, ela questiona o porquê do advogado de Alinsson, ou o próprio, não entregou as imagens à polícia no dia do assassinato de Beatriz.

Lucinha, que reivindica a federalização do caso, não aceita o argumento da defesa, de que Allinsson não respondia pelo setor de imagens, e sim de informática, do colégio. “Ele foi requisitado pelo Colégio Maria Auxiliadora para apresentar essas imagens à polícia. e por que não apresentou? É essa a resposta que eu quero ouvir, porque isso vai responder muita coisa no inquérito”, afirmou. Para Lucinha, a Câmara comete “uma imoralidade” ao abrir espaço para quem deveria estar preso.

Isso é uma falta de respeito com a imagem de Beatriz. E com dinheiro público. Eu fui a esta Casa pedir ajuda aos vereadores. Eu disse a eles que o colégio realizou sem nenhuma autorização. Existe um decreto, de nº 73, criado pelos próprios vereadores, que regulamenta os eventos em Petrolina. E por que eles não fiscalizaram e puniram o Colégio Auxiliadora? (…) quem tem vez aqui é criminoso. Allinson tem que ir é para o tribunal, provar a inocência. Ele fez foi fugir, e quem não deve não teme”, disparou Lucinha.

Crédito: Wanderley Alves

Osório

O presidente da Casa Plínio Amorim, vereador Osório Siqueira (PSB), disse compreender a angústia da mãe de Beatriz e reforçou sua solidariedade à família da menina, mas contestou as declarações de Lucinha. Primeiro, justificou que ela teve espaço por duas vezes a tribuna da Casa. Em seguida, Osório lembrou que Lucinha, na primeira vez, entregou um ofício aos vereadores e a ele, solicitando a criação de uma Comissão Especial de Inquérito Legislativo com vistas a apurar itens como alvarás de funcionamento do colégio em relação a eventos festivos. “Esperei que fosse protocolado (o documento), para que a gente desse andamento ao que diz o Regimento, mas não foi protocolado”, destacou.

Ainda com base no regimento da Casa, Osório destacou que o mesmo espaço destinado a Lucinha é garantido, de forma legítima, ao advogado de Allinson para que se manifestasse sobre a inocência do seu cliente. “Não vou travar o direito de ninguém”, avaliou o presidente. Osório ainda acrescentou que, quanto a questões na esfera judicial, a Casa não entrará nesse mérito.

10 COMENTÁRIOS

  1. A casa Plinio Amorim, deveria abster-se de certas atitudes, para não incorporar o estigma da impunidade. Lucinha deve receber o apoio irrestrito das autoridades e da população petrolinense, para que andando na mesma direção possam elucidar o crime e que os verdadeiros culpados possam ser atingidos pela mão da justiça. Quando se diz que a justiça é cega, se faz a alusão de que tanto os pobres como os ricos, devem ser envoltos na sua túnica com a mesma intensidade e que possam pagar por seus crimes. E não cega ao ponto de não querer enxergar.
    Uma Juíza que foi assassinada (Patrícia Acioli), teve seus ardis descobertos através de ligações de celulares, próximos ao local do crime. No vídeo do suspeito do caso Beatriz, nota-se claramente, que em certo momento o suspeito, recebe ou faz uma chamada telefônica. É um trabalho de formiguinha, mas solicitando as operadoras de telefonia, todas as ligações naquele horário e próximas ao colégio, vai surgir um fio de esperança.
    As autoridades estão invertendo os papéis, estão tratando a mãe de Beatriz como criminosa, o que não é o caso, É uma mãe, que sofre cada dia mais, com a força excomunhal para que o caso caia no esquecimento.

  2. Eu sei a dor dela (Lucinha Mota) Mas acho q ela estar querendo é se promover na política. A Sra.tem q ir em Recife mais uma vez falar com o Governador . A Câmara não tem nada aver com morte de Beatriz .

  3. Parabéns a Câmara de Vereadores de Petrolina por expor para a população o outro lado da moeda. Há muito o povo só ouvia a versão dessa mulher, agora conseguimos compreender que o Alison realmente foi injustiçado, porque agora estamos ouvindo o outro lado, tanto nos blogs quanto nos rádios. Não queria tá a pele dele, nem da familia dele. A dor de Lucinha nao diminui em nada a dor dele e de sua família. Ta na cara que ultimamente ela tem usado a tragédia da filha para se promover na política.

DEIXE UMA RESPOSTA

Comentar
Seu nome