A Polícia Federal (PF) concluiu o segundo inquérito sobre desvios de aposentadorias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e indiciou novamente o ex-presidente da autarquia, Alessandro Stefanutto, e ex-diretores sob acusação de irregularidades envolvendo descontos indevidos da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). O ex-presidente da Contag, Aristides Veras, e dois dirigentes também foram indiciados.
Eles foram acusados dos crimes de inserção de dados falsos em sistemas de informática, com pena prevista de dois a doze anos de reclusão, e organização criminosa. A PF entendeu que esses dados falsos permitiram descontos indevidos de aposentadorias e os desvios desses recursos. A conclusão do inquérito foi divulgada inicialmente pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.
A Contag é uma associação politicamente próxima do PT, partido do presidente Lula, com quadros filiados à sigla. O ex-presidente Aristides Veras, por exemplo, é irmão do deputado federal Carlos Veras (PT-PE). Como mostrou a Coluna do Estadão, a Contag teve diversas reuniões com Lula e seis ministros do governo nos últimos anos.
Além de sindicatos de trabalhadores rurais, a associação reúne a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), grupos historicamente apoiadores aos governos petistas. Foram indiciados Stefanutto, o ex-diretor de Benefícios André Fidelis e o ex-procurador Virgílio Ribeiro de Oliveira Filho. Dirigentes da Contag também foram indiciados: o ex-presidente Aristides Veras dos Santos, Edjane Rodrigues, que foi secretária de Políticas Sociais, e Thaísa Daiane, ex-secretária-geral. Procurados, eles ainda não se manifestaram.
Como mostrou o Estadão, a Contag arrecadou cerca de R$ 3,4 bilhões em descontos de aposentadorias entre 2016 e 2025 e seguiu faturando mesmo após o INSS ter sido alertado de suspeitas de irregularidades.
Conafer
Esse é o segundo relatório da Operação ‘Sem Desconto’ entregue pela PF ao ministro André Mendonça. No mês passado, a PF indiciou 49 pessoas por suspeitas de crimes envolvendo a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). Agora, o ministro deve enviar o material à Procuradoria-Geral da República, que vai analisar se apresenta denúncia sobre os fatos abordados.



Brasil da injustiça, enquanto um pessoa passou baton na estátua da impunidade pegou 12 anos de prisão, ladrões do dinheiro público pega de 2 a 12 anos de prisão, sinal que nesse país compensa ser bandido, traficantes e corruptos.