Fé e tradição: 76ª Missa do Vaqueiro emociona no encerramento do São João de Petrolina

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Com muita tradição, a Missa do Vaqueiro realizada às margens do Rio São Francisco encerrou o calendário do São João de Petrolina. O ato religioso reuniu mais de 10 mil pessoas – entre elas centenas de vaqueiros, os ‘protagonistas’ desse momento de fé que já acontece na cidade há 76 anos.

Trajados com gibão e chapéu de couro, os vaqueiros, antes da cerimônia, saíram do Estádio Paulo Coelho em cavalgada pelas ruas de Petrolina. A vaqueirama, que havia dormido a noite anterior no campo de futebol, percorreu cerca de 5 km até a chegada no palco montado pela prefeitura, próximo à orla do São Francisco.

Na chegada à beira do rio, o grupo foi recepcionado pelo padre-vaqueiro José Guimarães e pelo coral Aboio de Serrita para a celebração religiosa. Durante quase duas horas, os vaqueiros entoaram orações e canções tradicionais de Luiz Gonzaga e outros ícones da cultura nordestina, pedindo por chuva e proteção para familiares, amigos, para a roça e os animais da caatinga.

O ponto alto da celebração foi a bênção dos equipamentos carregados pelos vaqueiros no dia a dia (alforje, espora, gibão, chapéu entre outros). Os sertanejos montados a cavalo desfilaram à beira do palco para receberem a água abençoada pelo padre Guimarães em um ato que emocionou o público na orla do São Francisco.

“Este é um ato de preservação da fé e da cultura dos sertanejos. Os vaqueiros aguardam um ano inteiro para receber essa bênção divina e poder voltar à labuta desgastante na caatinga”, explicou o padre Guimarães, que se orgulha de ser criado em meio à cultura dos vaqueiros do interior de Petrolina.

Homenagens

Depois da cerimônia religiosa, a vaqueirama permaneceu na orla para assistir ao show da dupla Sirano e Sirino e para entrega do Troféu Cultural Carlos Augusto a cinco deles. “É preciso manter preservada essa tradição de quase cem anos e que envolve tanta gente simples do interior. A Missa do Vaqueiro é um marco importante de nossa cultura”, definiu o prefeito Miguel Coelho, que participou da cavalgada e da cerimônia religiosa.

História

A missa, segundo os mais antigos, foi iniciada em 1941 por conta de um acidente envolvendo um vaqueiro chamado Timóteo, que foi ferido por um pedaço de pau durante uma cavalgada pela caatinga. A queda e o ferimento profundo deixaram Timóteo em condições graves. Para auxiliar na sua recuperação, amigos do sertanejo pediram uma missa ao padre Américo Soares. O vaqueiro conseguiu sobreviver e voltar a montar a cavalo pouco tempo depois. Desde então, a cerimônia é realizada anualmente para pedir proteção a toda vaqueirama de Petrolina. (Fonte: Ascom PMP/com fotos de Janko Moura, PMP e do Blog)

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