Exportações de frutas crescem mais de 20% e país registra melhor 1º semestre da história

por Karyne Ramos // 20 de julho de 2026 às 16:32

Foto: Manu Dias

A fruticultura brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 com resultados históricos no mercado internacional. Entre janeiro e junho, o país exportou 619,1 mil toneladas de frutas, que renderam US$ 707,9 milhões, representando crescimento de 20,64% em receita e 13,32% em volume em relação ao mesmo período de 2025. Os dados, divulgados pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), mostram que o setor manteve um desempenho positivo mesmo diante de um cenário internacional considerado mais desafiador.

Segundo o presidente da Abrafrutas, Waldyr Promicia, os números refletem a competitividade da fruticultura brasileira e os investimentos realizados para ampliar a presença dos produtos nacionais no exterior. “O primeiro semestre confirma a capacidade do setor de responder aos desafios com eficiência, qualidade e abertura de mercados. A diversificação dos destinos, o investimento constante em tecnologia e as ações de promoção comercial das frutas brasileiras têm fortalecido a presença dos nossos produtos no mercado internacional e ampliado as oportunidades para os produtores brasileiros“, destacou.

A manga, uma das principais frutas da pauta de exportação brasileira, registrou crescimento de 42,41% em valor e 37,96% em volume no primeiro semestre. O desempenho é atribuído à qualidade da fruta produzida no Brasil e à consolidação de mercados estratégicos no exterior. A maçã foi o maior destaque do período, com alta de 223,55% na receita e 225,11% no volume exportado. O resultado foi impulsionado pela maior safra já registrada no país.

De acordo com o diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), Moises Lopes de Albuquerque, a produção recorde compensou as perdas enfrentadas nos últimos anos devido às condições climáticas. “Tivemos uma safra recorde, com excelente qualidade e um volume muito superior ao dos últimos anos. Esse resultado mostra que os investimentos em tecnologia, produtividade e qualidade estão dando retorno e reforça nossa confiança de que as exportações da maçã brasileira continuarão crescendo nos próximos anos“, afirmou.

O levantamento aponta crescimento expressivo das exportações de abacate, que aumentaram 72,52% em receita e 92,68% em volume, impulsionadas principalmente pela melhor safra dos últimos cinco anos em São Paulo. A melancia também apresentou desempenho positivo, com avanço de 30,59% no valor exportado e 6,27% no volume, beneficiada pela regularidade da produção nordestina e pela qualidade da fruta.

Uva

Nem todas as frutas, no entanto, apresentaram crescimento. As exportações de uva recuaram 27,92% em valor e 27,86% em volume, reflexo das incertezas no mercado norte-americano após o anúncio de novas tarifas comerciais. O melão registrou pequena redução de 2% no volume embarcado, mas a receita aumentou 8,18%, favorecida por preços mais elevados no mercado internacional. Já a banana apresentou queda de 15,63% no faturamento e 27,19% no volume exportado, influenciada pela concorrência de países como Equador, Bolívia e Paraguai, especialmente nos mercados do Mercosul.

Além dos principais produtos da pauta exportadora, frutas como limões, limas e mamão também apresentaram crescimento, reforçando a diversificação das exportações brasileiras. A expectativa da Abrafrutas é de que o bom desempenho seja mantido no segundo semestre, impulsionado pela abertura de novos mercados, pela qualidade da produção nacional e pela estratégia de ampliar os destinos das frutas brasileiras, consolidando um novo recorde anual para o setor.

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