Especialista diz que IA pode aumentar riscos de golpes no período eleitoral

por Antonio Carlos Miranda // 01 de setembro de 2026 às 21:39

Foto: divulgação

O período eleitoral concentra atenção pública e movimenta grandes volumes de informação, o que o transforma em cenário fértil para criminosos virtuais que usam engenharia social e, cada vez mais, Inteligência Artificial (IA) para aplicar golpes. Segundo Alberto Jorge, CEO da Trust Control e especialista em cibersegurança, o momento exige cuidado redobrado com o envio de links por mensagens instantâneas e até por SMS, canal que “ainda funciona bastante” como vetor de ataque.

Os hackers, na avaliação do especialista, são criminosos que buscam “ganchos” em assuntos em alta para aumentar a taxa de cliques e a eficácia dos golpes. No contexto eleitoral, isso se traduz em falsas listas de candidatos “caçados”, áudios supostamente vazados e outras narrativas que criam urgência ou curiosidade, levando a vítima a clicar em um link falso. “A partir desse clique, o atacante pode roubar dados, contaminar o dispositivo e, em seguida, usar o acesso conquistado para desferir outros tipos de ataque”, alerta.

Temáticas em alta

O modus operandi dos cibercriminosos é cíclico e sazonal: os golpistas migram de tema em tema conforme o calendário e o interesse coletivo — INSS, Black Friday, Natal e, agora, eleições — porque sabem que as pessoas estão mais atentas a essas pautas e mais vulneráveis a iscas relacionadas a elas. “Eles vão migrando de um tema para outro, para chamar a atenção. Por isso, a eleição funciona como mais um mote explorado em campanhas de phishing e fraude”, reforça o CEO da Trust Control.

Além do risco individual, há um componente corporativo importante: muitas pessoas acessam esses conteúdos em dispositivos usados também para trabalho, o que amplia o impacto do golpe. “Se a vítima compromete um aparelho corporativo, a organização pode sofrer vazamento de dados, infecção por malware ou até ter sua rede usada como ponto de partida para novos ataques”, ressalta Alberto Jorge.

Golpes de IA

A IA entra como acelerador e sofisticador desses crimes, especialmente na criação de vídeos, áudios e textos convincentes que se passam por candidatos, partidos ou autoridades. “Está muito fácil criar vídeos, informações ou qualquer coisa usando inteligência artificial se passando por alguém”, frisa o especialista, antecipando que circularão muitas peças com deepfakes e conteúdos sintéticos para ludibriar eleitores e influenciar intenções de voto.

Dicas práticas

– Desconfie de links recebidos por WhatsApp, SMS ou redes sociais, mesmo que pareçam vir de conhecidos; confirme a origem antes de clicar.

– Verifique a autenticidade de áudios, vídeos e imagens “vazados” em sites oficiais, portais de checagem e canais verificados de candidatos e órgãos eleitorais.

– Não informe dados pessoais, senhas ou códigos de autenticação em páginas acessadas por links suspeitos; digite sempre o endereço oficial no navegador.

– Mantenha dispositivos pessoais e corporativos atualizados (sistema operacional, aplicativos e antivírus) e evite instalar aplicativos fora das lojas oficiais.

– Para empresas, deve-se reforçar as políticas de uso seguro de dispositivos, treinar colaboradores para identificar phishing e restringir instalações e acessos privilegiados.

– Diante de conteúdo gerado por IA (vídeos, áudios, textos), procure inconsistências (voz, sincronia labial, contexto) e busque confirmação em fontes primárias, antes de compartilhar qualquer link ou arquivo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Últimos Comentários