Entidades populares externam preocupação com incêndio florestal

por Carlos Britto // 26 de agosto de 2021 às 16:40

Foto: 9° GBM

Com mais de duas semanas de fogo intenso na vegetação das regiões de Pilão Arcado e Campo Alegre de Lourdes, no norte da Bahia, o Fórum de Entidades Populares manifestou preocupação tanto com as consequências para o bioma local, quanto com as causas do fogo.

Confiram a nota pública na íntegra:

Vários focos de queimadas seguem destruindo a fauna e a flora nativas e colocando em risco a vida da população local, especialmente de quem vive nas comunidades tradicionais de fundos de pasto da região, que estão mais próximas das chamas.

O primeiro foco do incêndio teve início no dia 9 de agosto, atingindo as comunidades de Lagoa do Virgulino, Comandante e Baixão do Jacu e, depois, Caboclo dos Mangueiras, Baixão do Egídio, Bandeira de Cima e Anjo. Essas comunidades estão localizadas na divisa entre os dois municípios e ocupam uma área de aproximadamente 50 km. Este primeiro foco foi controlado pelos moradores locais, corpo de bombeiros, voluntários e duas aeronaves pulverizadoras de água.

Enquanto os esforços estavam concentrados nessa ação, outros dois novos focos surgiram com ainda mais intensidade nos últimos dias. Mesmo com mais duas aeronaves pulverizando água, as chamas não foram contidas e estão consumindo parte da caatinga conservada pelas comunidades que habitam a localidade há muitas gerações. As comunidades mais atingidas pelo segundo foco de incêndio foram Boa Vista, Cabeça do Porco e Cacimba Velha. O fogo segue em direção à comunidade Aroeira e ao estado do Piauí. O terceiro foco das chamas atinge as comunidades de Fidalgo e Lagoa Funda, indo em direção ao Angico dos Dias, em Campo Alegre de Lourdes. No final do mês de julho, as comunidades de Vista Nova e Lagoa do Sal, em Campo Alegre, já haviam combatido um foco de incêndio na área.

A estimativa do Corpo de Bombeiros é que pelo menos dois mil hectares de vegetação já foram atingidos nessas localidades. Além da vegetação, muitos animais nativos acabaram mortos. Para as comunidades, o prejuízo é enorme e os dias têm sido de muito medo e preocupação, já que a primeira vez que presenciam um incêndio dessas proporções, com tantos focos espalhados pelo território.

Diante dessa situação, o Fórum de Entidades Populares reforça que esse incêndio precisa ser investigado pelos órgãos competentes, para que a população tome conhecimento das causas dessas queimadas. Ressaltamos que em diversos biomas brasileiros o uso criminoso do fogo, que tem provocado imensa devastação ambiental, está ligado aos conflitos por terra. Na região afetada pelo fogo, em Pilão Arcado e Campo Alegre de Lourdes, temos presenciado um aumento dos conflitos territoriais e resistências das comunidades para permanecer em seus territórios e preservar seus modos de vida. Por isso, as comunidades e as organizações locais exigem averiguação das causas desse incêndio.

Fórum de Entidades de Campo Alegre de Lourdes

Articulação das Associações de Fundo de Pasto de Campo Alegre de Lourdes

Articulação e Coordenação Paroquial da Juventude (ACPJ)

Associação Comunitária de Fundo de Pasto São Gonçalo

Associação Comunitária de Fundo de Lagoa do Sal

Associação Comunitária de Fundo de Lagoa do Gado

Associação Comunitária de Fundo de Pasto de Angico dos Dias e Açu

Associação de Técnicos em Agropecuária e Apoiadores da Agricultura Familiar no Estado da Bahia (ATAF)

Comissão Pastoral da Terra (CPT)

Cooperativa dos Pequenos Apicultores de Campo Alegre de Lourdes (Coapical)

Conselho Popular de Saúde e Meio Ambiente de Pilão Arcado

Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA)

Paróquia Nossa Senhora de Lourdes – Campo Alegre de Lourdes

Paróquia Santo Antônio – Pilão Arcado

Rede Mulher de Campo Alegre de Lourdes

Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Campo Alegre de Lourdes

Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP)

Sociedade de Ações Educativas Sociais e Tecnológicas (SAET)

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