“É preciso ter bom senso”, diz diretor da Fiepe em Petrolina sobre flexibilizar setor da construção civil

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Foto: Ascom

Em entrevista ao Programa Carlos Britto na Rádio Rural FM desta segunda-feira (20), o diretor de Obras Públicas e Privadas do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Pernambuco e diretor regional do sistema Fiepe, Albânio Venâncio, falou sobre os impactos da pandemia do novo coronavírus (Cocid-19) em Petrolina. Segundo ele, ainda não se tem um cenário preocupante para os empregos da região pelo fato das obras públicas não terem parado.

“Nós temos hoje 40 mil trabalhadores desempregados [no Brasil] praticamente. A situação aqui na nossa região de certa forma não é tão preocupante. Eu digo a você isso, sem medo de errar, porque as obras públicas não paralisaram. Então, se você tem hoje um montante financeiro jogado nas obras públicas, elas não impedem de paralisar a construção como um todo”, contou.

Para Albânio, é preciso buscar uma solução para o setor da construção civil durante a pandemia, para evitar o desemprego. “A gente fica realmente alarmado sem nenhuma medida. Eu acho que há um erro nesse procedimento porque não existe aquele senso de dizer assim: ‘vamos ver uma maneira de aliviar esse setor, que tanto é benéfico para o emprego do cidadão’”. Ele revelou um dado preocupante, de que boa parte das empresas não reabriram após a crise do novo coronavírus. “Acreditamos que tem que ter uma solução o mais rápido possível, já que 60% das empresas não voltaram. É o que está se desenhando. Ontem eu vi em um grupo de WhatsApp do Sindicato da Construção Civil do Ceará. A situação me deixou bem alarmado, que pode chegar para nós todos aqui, porque dito pelo secretário de Saúde a todos os grandes empresários da construção, que ‘infelizmente não pode fazer nada, foi uma decisão do governador’. É preciso flexibilização, ter bom senso”, falou.

Quanto à possibilidade de normalização do setor, Albânio afirmou: “sinceramente, eu só vejo uma situação que prevaleça, quando percebermos que essa pandemia realmente está descendo, está caindo. Aí sim, pode ser que as coisas aliviem. Mas enquanto tiver essas estatísticas que mostram sempre todo dia mais mortes, isso realmente enfraquece o nosso pleito”. Para ele, também poderia haver um diálogo entre as indústrias e o governo estadual para discutir e trazer uma solução. “Nós temos ideias. Poderíamos ver o exemplo aqui de Petrolina na área da agricultura, fazendas com todos os seus cuidados, com todas as suas necessidades básicas de segurança e saúde sendo feitas, e por que não tratar também um projeto para a construção civil? Naquilo que também agrega tantos empregos na nossa região. São coisas desse tipo que realmente a gente não consegue entender. Passa muitas vezes a entender que há uma determinação, sem discussão, sem democracia, é isso que a gente percebe”, finalizou.

3 COMENTÁRIOS

  1. De fato é uma estupidez parar com o setor de construção civil na nossa cidade. Não tem como colocar todos os municípios na mesma situação do que ocorre na região metropolitana, estamos em uma situação bem diferente que já justificaria uma abertura paulatina e gradual desse setor, evidentemente com as mesmas restrições impostas à agricultura irrigada, por exemplo. O interessante é ver tamanha contradição e incongruência com as decisões tomadas pelo judiciário brasileiro, notadamente a Suprema Corte, ou seja, para o STF, o governo federal não pode interferir nas decisões dos governadores e prefeitos com relação às medidas de combate ao coronavírus; então, nesses mesmos moldes, um governador não poderia também interferir em uma decisão local de um prefeito, já que este detém melhor conhecimento da realidade local do que o governador, não é mesmo? Só que essa lógica não é posta em prática, já que os prefeitos tem que obedecer aos respectivos governadores, sem questionarem e sob ameaças de sanções do ministério público, em caso de descumprimento. O objetivo é tão somente tirar poder do governo federal e ampliar os poderes dos governadores para que a quarentena não possa, de forma alguma, ser questionada como medida a ser tomada no caso da pandemia.
    Agora existe uma falha de interpretação do decreto estadual. Não são todas as obras particulares que estão suspensas; aquelas que estejam relacionadas a atividades essenciais previstas no decreto estão liberadas, ou seja, obras de clínicas, hospitais, em mercados em geral, em farmácias, relacionadas à agricultura irrigada, dentre todas às atividades autorizadas a funcionar no momento. Não está no decreto, mas está na Constituição, o direito à habitação como garantia individual fundamental; ou seja, seria o caso dessas entidades da construção civil pleitearem, judicialmente se for o caso, a liberação das obras relacionadas à habitação. Tem algo mais ou tão essencial quanto à habitação neste momento de confinamento? Então por que proibir a construção ou conclusão dessas obras? Se essas entidades forem esperar alguma atitude do governador ou até mesmo do prefeito, podem esquecer! Há um explícito interesse por parte desses governantes que as coisas estejam da forma que estão, e eles não vão mover uma palha para mudar esse estado de coisas.

  2. Concordo com ele.
    Todos os comércios tem capacidade de se adaptar as normas de higiene.
    Não tem porque penalizar o comercio do centro.
    Até porque a OMS tem dito reiteradas vezes que os países com nossa características deve sim reabrir.

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