Drama: Jovem petrolinense vítima de acidente aguarda por cirurgia no Recife, mas família é informada de não haver previsão

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Foto: arquivo pessoal

Após ficar 30 dias prostrado num leito do Hospital Universitário (HU), em Petrolina, devido a um grave acidente de motocicleta ocorrido no último dia 27 de julho, no Perímetro Bebedouro (zona rural), o jovem Everton Lima de Oliveira não imaginava o pesadelo que ainda estaria por vir. Everton foi transferido para o Hospital da Restauração (HR), no Recife (PE), onde havia a expectativa de que passasse por uma cirurgia numa das vértebras lesionadas no acidente.

Segundo informações obtidas pelo Blog, o jovem perdeu momentaneamente os movimentos da perna. A esperança da família era a de que, com o procedimento cirúrgico, o rapaz conseguisse ao menos conseguir se sentar. Mas ao chegar na noite de sábado (24) à capital pernambucana, Everton e a mãe dele tiveram uma surpresa desagradável: a direção do HR informou que a unidade médica está superlotada e sem previsão de receber novos pacientes.

Segundo familiares de Everton, a Restauração teria alegado que seu filho foi encaminhado sem autorização. Ou seja, não teria passado pelo procedimento de regulação, de responsabilidade do HU. É esse critério que garante a vaga de um paciente em qualquer unidade. A informação, porém, é contestada pelo hospital de Petrolina (confiram nota abaixo, na íntegra). O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que foi procurado pela família do jovem, também confirmou a versão do HU.

Primo do rapaz, Júlio César Monteiro acredita que possa ter ocorrido uma “negligência” da Restauração. “É possível que o médico plantonista não tenha repassado essa informação quando deixou o plantão”, disse. Padrinho e também primo de Everton, Vagner Batista justificou ao Blog que o momento não é de procurar culpados. Segundo ele, o que a família mais quer é resolver definitivamente o caso, diante do sofrimento pelo qual o jovem e a mãe estão passando no Recife. Vagner conta que Dona Nalva está impossibilitada de acompanhar o filho como gostaria.

O psicológico dele está abalado. Ele está jogado no corredor do Hospital da Restauração. A mãe dele só conseguiu entrar no hospital para dar assistência ao filho às 14h de ontem. Ele é um menino bom, trabalhador. Queremos apenas um direito que é nosso, de que Everton possa passar por uma cirurgia”, desabafou.

Nota

Em resposta ao Blog, a direção do HU, por meio de sua assessoria, esclareceu o seguinte:

NOTA DE ESCLARECIMENTO QUANTO À REGULAÇÃO DO PACIENTE EVERTON DE LIMA OLIVEIRA

Petrolina-PE, 26 de Agosto de 2019.

O Hospital da Universidade Federal do Vale do São Francisco vem esclarecer a informação inverídica de que o paciente Everton de Lima Oliveira teria sido transferido do HU-Univasf para o Hospital da Restauração-HR (no Recife) sem a devida Regulação, o que não é verdade.

O fato é que o referido paciente foi devidamente regulado o através da Central de Regulação Interestadual de Leitos – CRIL, no dia 23/08/2019, sob a senha 5755391. No processo, foram seguidos rigorosamente todos os trâmites preconizados pelo SUS. Conforme comprovação documental em anexo.

É importante frisar que o paciente foi regulado para o Hospital da Restauração, que é uma das maiores referências em neurocirurgia do estado de Pernambuco e uma das maiores do Brasil.

Portanto, a ação do HU-Univasf foi totalmente respaldada e de acordo com os parâmetros de referenciamento da Rede PEBA.

O HU-Univasf compreende a angústia da família e está à disposição para prestar qualquer esclarecimento sobre o processo regulatório, o que pode ser feito através do setor de Ouvidoria. No entanto, é preciso também frisar a necessidade de responsabilidade com as informações divulgadas, uma vez que o hospital sempre preza pela lisura e institucionalidade dos processos, não podendo admitir que acusações graves como a que ora se esclarece sejam feitas sem fundamentação verídica.

Por fim, uma vez que o paciente se encontra em atendimento em outra unidade de saúde, solicitamos à imprensa e aos familiares que maiores informações sobre previsão cirúrgica e estado do paciente sejam buscadas junto aos órgãos competentes, uma vez que o HU-Univasf não tem governabilidade sobre o caso.

Ao mesmo tempo, estamos contatando gestores da rede saúde, principalmente as centrais de regulação da rede PEBA e do estado de Pernambuco, para que possam ter ciência sobre o caso e possam tomar as providências cabíveis, uma vez que a vaga foi liberada e autorizada por estas instituições.  

HU-Univasf/Ascom

A reportagem do Blog ainda não conseguiu, até o momento, entrar em contato com o HR.

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