Comissão de líderes comunitários de Petrolina aciona HDM/Imip no MPPE

por Carlos Britto // 14 de maio de 2018 às 17:02

A comissão de líderes comunitários de Petrolina formalizou, nesta segunda-feira (14), a entrega de um ação cível pública pelo qual pede ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) que tome as devidas providências por melhorias no serviço oferecido pelo Hospital Dom Malan (HDM), gerido pelo Governo do Estado por meio do Imip. A unidade médica ficou na berlinda semana passada, após mais uma morte registrada em suas dependências – desta vez a adolescente Miliam Carvalho da Silva, de 15 anos, que teve complicações em sua gravidez de cinco meses, vindo a óbito no último dia 2/05.

Pelo documento, a entidade reclama – entre outros itens – da superlotação e falta de leitos, obrigando as gestantes a permanecer dias e noites sentadas em cadeiras ou poltronas às espera de algum leito vago, conforme denúncias de mulheres feitas à imprensa local.

De acordo com o presidente de Associações de Bairro de Petrolina, José Santos, a ideia de acionar o MPPE foi formatada há quase 15 dias, e ganhou repercussão a partir da divulgação em mídias sociais. Nesse ínterim foi criado, inclusive, o grupo de mulheres da Campanha ‘Sou Mãe, Tenho Medo’, que protestou na última quinta-feira (10) contra o HDM.

Não entregamos o documento naquele dia por havia algumas pessoas exaltadas. E nós, da comissão, queremos fazer um movimento apimentado, mas sem exaltação. Temos responsabilidade. Não vamos nunca invadir a sede do Ministério Público ou de hospitais. Não é da nossa índole”, afirmou Zé Santos.

O líder comunitário disse que a iniciativa é para que o MPPE procure meios de acionar judicialmente o Imip com vistas a minimizar o cenário crítico em que se encontra o HDM. “Aos olhos da população, o Imip maltrata as mulheres, a ponto de morrerem. Temos hoje um hospital que se diz de ponta, uma instituição de ponta. Mas de ponta só para ganhar dinheiro? o que se quer é um hospital de ponta para cuidar de vidas. Não se pode uma mulher entrar boa e sair morta”, critica.

Zé Santos justificou que a comissão decidiu procurar o MPPE por considerar “mortas” as instituições de fiscalização do Estado e até mesmo do município. Apesar de elogiar a decisão dos vereadores da Casa Plínio Amorim em criar uma Comissão Especial de Inquérito para investigar os casos ocorridos no HDM, ele afirma que a iniciativa partiu depois da mobilização dos líderes comunitários, e aproveitou para criticar a atuação da Comissão de Saúde da Casa, que não agiu com deveria diante dos últimos acontecimentos. “Teve um vereador que disse que a Comissão de Saúde vacilou, dormiu no ponto. Não fui eu quem disse. Agora, é estranho com tantas mulheres morrendo no Dom Malan, e essa comissão não ter tomado nenhuma providência”, disse Zé Santos, que também não viu o Conselho Municipal de Saúde cumprir seu papel.

Governador

O líder comunitário também não isentou o atual governador Paulo Câmara de sua responsabilidade acerca da situação. “Ele já deveria ter tomado as providências necessárias”, afirmou. Zé Santos disse que, seja por bem ou pressionado pelo MPPE, ele agora terá de agir. Ele disse acreditar que se o gestor tivesse cumprido a promessa de construir um Hospital da Mulher em Petrolina, o caos que atinge atualmente o HDM não existiria, ou ao menos os problemas seriam em proporção bem menor, porque a obra ajudaria a desafogar o HDM. A promotora Ana Cláudia de Sena Carvalho ficará à frente da ação cível.

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